Depois de temor com China, Bolsa volta a fechar em alta

Grande parte dos mercados de ações do mundo ensaiaram uma recuperação nesta quarta-feira, depois das fortes quedas registradas na terça. A cautela com a economia chinesa persiste, bem como com os riscos de um desaquecimento econômico nos estados Unidos. Mas, pelo menos nesta quarta, os investidores reagiram. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,73% e, em fevereiro, acumulou perda de 1,68%.A recuperação foi iniciada pela China, onde o índice Composto de Xangai fechou em alta de 3,94%, após o Ministério de Finanças ter acalmado o mercado, negando que o governo pretenda tributar o lucro dos investidores.As bolsas da Ásia computaram quedas acentuadas, a despeito da recuperação do mercado chinês. Alguns mercados já tinham fechado ontem, quando a derrocada da bolsa da China ocorreu, enquanto outros se ajustaram à queda de Nova York na sessão anterior. Em Tóquio, o Nikkei-225 caiu 2,9%. Outros mercados tiveram perdas superiores, com Filipinas cedendo 7%. O mercado da Índia caiu 4%. Na Europa, as bolsas abriram em queda superior a 1,5%, ajustando-se ao tombo de ontem em Nova York. Buscaram reduzir a queda no decorrer do dia, mas voltaram a perder força antes do fechamento. Londres caiu 1,82%, pressionado pela queda de 2,81% da BHP Billiton e de 3,39% da Xstrata. Em Paris, a bolsa cedeu 1,29%.Em Nova York, nesta quarta, o índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas - fechou com alta de 0,42%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e Internet - subiu 0,34%.América LatinaNa América Latina, os mercados se recuperaram parcialmente. A entrada de investidores atraídos por preços baixos no mercado e a fala do presidente do banco central norte-americano, Ben Bernanke, que reafirmou sua visão positiva sobre a economia dos Estados Unidos, deram impulso aos negócios. Bernanke repetiu o comentário feito no dia 14 de que a economia norte-americana cresce moderadamente, sufocando o temor de uma forte desaceleração econômica global que derrubou, na terça-feira, as ações, as moedas e os bônus especialmente de mercados emergentes. Encorajados por relatórios de bancos que recomendavam a compra de ativos "baratos", os investidores compraram ações e impulsionaram os principais índices de ações da América Latina. No México, a ação subiu 0,83% e o Merval da Argentina teve alta de 0,72%. O índice chileno IPSA liderou a recuperação, com alta de 3%, na expectativa de que as companhias chilenas continuarão a reportar fortes lucros em 2006. "Os investidores devem ser compradores agressivos de ações de semicondutores, varejistas e telecomunicações, e devem selecionar as ações de energia", escreveu o analista do Citigroup Tobias Levkovich em nota.Mercado de câmbioO dólar encerrou fevereiro com queda acumulada de apenas 0,14%, depois de a deterioração dos mercados globais na véspera ter feito a moeda escalar quase 2% em um dia. Na última sessão do mês, a moeda norte-americana registrou alta de 0,05%, terminando a R$ 2,1210. Durante fevereiro, o dólar chegou a cair ao menor nível em nove meses, a R$ 2,0670, refletindo forte ingresso de recursos. Uma atuação mais firme do BC na compra de dólares fez a moeda diminuir o ritmo de queda. Outro resultado desta medida foi a ampliação das reservas cambiais do País, que nesta quarta-feira chegaram a US$ 100 bilhões.Com a forte tensão externa na terça-feira, que derrubou os mercados globais, o dólar voltou a se firmar acima dos R$ 2,10 e quase anulou a desvalorização que registrava no mês até o dia 26.

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