Fabio Motta/Estadão
Lucro líquido do BNDES no ano passado foi recorde, de R$ 20,7 bilhões, alta de 17% ante 2019.  Fabio Motta/Estadão

Depois de vender R$ 45,4 bi em ações, BNDES tem lucro recorde de R$ 20,7 bi em 2020

Resultado ficou 17% acima do registrado em 2019; este ano o banco de fomento já vendeu mais R$ 12,5 bilhões em ações, com destaque para a venda total da participação remanescente na Vale

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 15h18

RIO - A estratégia de reduzir fortemente sua bilionária carteira de participações acionárias em grandes companhias também rendeu frutos financeiros para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no ano passado. O lucro líquido foi recorde, de R$ 20,7 bilhões, alta de 17% ante 2019, puxado justamente pela venda de ações.

Em 2020, o banco vendeu R$ 45,4 bilhões em ações. Os destaques foram a oferta de R$ 23 bilhões em ações da Petrobrás, em fevereiro, vendas totais de R$ 12,9 bilhões em papéis de mineradora Vale - incluindo uma venda “em bloco” de R$ 8,1 bilhões, em outubro - e a oferta de R$ 6,9 bilhões das ações da fabricante de celulose Suzano, em outubro. Conforme o balanço financeiro divulgado nesta sexta-feira, 12, as vendas dos papéis contribuíram, de forma líquida, com R$ 14 bilhões do lucro líquido de 2020. 

Mesmo após as vendas bilionárias, a carteira de ações do BNDES terminou o ano passado avaliada em R$ 81,8 bilhões. Como as vendas continuaram neste ano, o valor já caiu para R$ 63,6 bilhões, já considerando também as oscilações de mercado, conforme o fechamento das cotações no pregão da última segunda-feira, 8. O BNDES informou que, neste ano, já vendeu mais R$ 12,5 bilhões, com destaque para a venda total da participação remanescente na Vale.

Ao apresentar os dados, os diretores do BNDES garantiram que as vendas continuarão. No segundo trimestre, o banco pretende fazer a oferta de debêntures participativas da Vale, disse o diretor de Privatizações da instituição de fomento, Leonardo Cabral. A oferta foi anunciada pela própria companhia no início do mês, após ser informada pelo banco.

Essas debêntures participativas são mais do que um título de dívida corporativa. Têm como base de retorno uma participação nas vendas da Vale. Como o minério de ferro está com seus preços globalmente em escalada e alguns especialistas acreditam que o metal está entre as commodities que podem passar por um superciclo de alta, é um ativo que tende a atrair investidores. O BNDES venderá não apenas as debêntures que possui, mas também as detidas pela União. A oferta poderá movimentar R$ 14 bilhões, como informou o Broadcast/Estadão, no início do mês.

Segundo o presidente do banco, Gustavo Montezano, apesar da crise, houve “muita liquidez” no mercado ano passado, com “muita demanda” por ativos brasileiros, o que contribuiu para o sucesso do plano de desinvestimentos em participações diretas em grandes companhias. “Desinvestimos de forma organizada, cautelosa e sem afetar o mercado”, afirmou o executivo, em entrevista coletiva online.

Para Montezano, os resultados de 2020 foram “robustos”, tanto no sentido financeiro quanto na execução de “ações anticíclicas” contra a crise e na execução da mudança estratégica do papel do banco de fomento. No total, o BNDES informou que as ações contra a crise somaram um total de R$ 155,4 bilhões em 2020, incluindo um repasse de R$ 20 bilhões para o FGTS e valores emprestados por bancos comerciais, mas garantidos pelo BNDES.

Montezano destacou entre os resultados da atuação “crucial” no canal de crédito justamente os financiamentos garantidos pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), fundo de aval do BNDES, no âmbito do Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac). O programa garantiu em torno de R$ 92 bilhões em financiamentos concedidos por bancos participantes.

Impulsionados pela ação do BNDES para mitigar a crise, os desembolsos para financiamentos ficaram em R$ 64,9 bilhões em 2020, também uma alta de 17% ente 2019, revertendo uma tendência contínua de queda nos últimos anos. Do total de desembolsos, 52% foram direcionados para média, pequenas e microempresas (MPMEs), que, pela primeira vez, ficaram com a maioria dos valores liberados pelo banco de fomento. 

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BNDES pode reeditar programa de crédito garantido e suspensão da cobrança de dívidas, diz Montezano

Segundo presidente do banco, há discussões, no governo federal e no Congresso Nacional, em torno do programa que, em 2020, garantiu R$ 92,1 bilhões em empréstimos

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 15h27

RIO - Ainda não tem nada decidido, mas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá reeditar parte das medidas lançadas em 2020 para mitigar a crise causada pela covid-19, afirmou nesta sexta-feira, 12, o presidente da instituição de fomento, Gustavo Montezano.

Conforme o executivo, não há nenhuma demanda formal do Ministério da Economia para que o banco reabra o Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac), desenhado para garantir financiamentos concedidos por todos os bancos do sistema financeiro. Com aporte de R$ 20 bilhões do Tesouro Nacional no FGI, fundo de aval do BNDES, o Peac garantiu R$ 92,1 bilhões em empréstimos. 

Por outro lado, Montezano confirmou que há discussões, no governo federal e no Congresso Nacional, em torno de uma reedição do Peac. Na quinta-feira, 11, o secretário especial de Produtividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, afirmou que o governo trabalha com recursos que sobraram no FGI para que haja mais R$ 2 bilhões para micro e pequenas empresas.

Questionada, a diretoria do BNDES não detalhou informações sobre essas sobras nem como poderiam ser usadas. Montezano se limitou a dizer que o banco de fomento está “operacionalmente” preparado para reeditar o Peac, caso haja decisão por parte do governo. “Havendo decisão, o BNDES está preparado”, afirmou o presidente do banco.

Internamente, Montezano informou que o BNDES estuda reeditar a suspensão da cobrança de dívidas (medida conhecida no mercado como “standstill”). No ano passado, o banco deixou de cobrar R$ 13,6 bilhões de empresas e R$ 3,9 bilhões de governos. Segundo a diretora financeira, Bianca Nasser, a medida levou a renegociações nos contratos de financiamento que respondem por 43% da carteira de crédito do banco.

“Na nossa carteira, estamos estudando, de forma setorial, alguma flexibilização (na cobrança de dívidas), sim. Se fizermos alguma coisa, será setorial, diferentemente (da suspensão) de março do ano passado, que foi transversal”, afirmou Montezano. 

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