Depois do baque, indústria volta a crescer em setembro

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O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2016 | 04h00

Os dados sobre a produção física industrial em setembro divulgados pelo IBGE são melhores do que se antecipava, mas não indicam recuperação e estão longe de configurar nova tendência. Depois da queda de 3,8% em agosto na comparação com o mês anterior, interrompendo uma sequência de crescimento mensal iniciada em março, a produção da indústria voltou a registrar avanço em setembro, com aumento de 0,5%, sem ajuste sazonal, sobre agosto. Na comparação com o mesmo mês de 2015, houve queda de 4,8%, mas essa taxa é a menor de 2016 na comparação por período anual. O recuo em janeiro havia sido de 13,6% em relação a janeiro de 2015, mas a redução se desacelerou a partir de março.

A base de comparação baixa, dado o resultado negativo de agosto, pode explicar o crescimento da indústria em setembro em 9 das 14 regiões pesquisadas. O maior avanço se deu no Espírito Santo (9%), mais que compensando a perda no mês anterior (7%), graças à recuperação da produção e da exportação de minério de ferro, com cotações internacionais em alta. Essa evolução também influenciou o crescimento industrial de Minas Gerais (2,0%). No que diz respeito à indústria paulista, o avanço de 1,6% em setembro em relação ao mês anterior foi devido, principalmente, ao desempenho da indústria de alimentos (crescimento de 6,4%) e de veículos automotores (4,8%). Nota-se, porém, que a queda da indústria paulista em setembro em relação ao mesmo mês de 2015 é de 0,03%, praticamente um empate. 

A falta de investimentos reflete-se no recuo da produção de bens de capital, que foi de 5,1% em setembro em comparação com agosto, o terceiro resultado negativo mensal consecutivo. Também vem sendo muito afetada a indústria de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-8,1% no mesmo período).

O que se pode esperar é que os três últimos meses do ano apresentem resultados mais animadores do que os do terceiro trimestre, quando se registrou queda de 5,5% em relação a igual período de 2015, a décima taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto.

Apesar de tudo, como observa o IBGE, a queda no terceiro trimestre de 2016 foi a menor desde o último trimestre de 2014 (-3.9%).

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