Depois do feijão, arroz é novo vilão dos preços

Nos últimos 30 dias, produto já subiu 15% nos supermercados

Vera Dantas, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Depois de sofrer o impacto da alta do feijão nos últimos meses, o consumidor começa a sentir no bolso o peso de outro produto básico na mesa do brasileiro, o arroz. Nos últimos 30 dias, o produto já aumentou 15% nos supermercados e deve ter novas altas nas próximas semanas. No acumulado de 12 meses até março, nos supermercados de São Paulo, o feijão subiu 168,44%. Mas teve queda de preço de 12,34% no mês anterior. "Do fim do ano passado para cá, o arroz vinha subindo em marcha lenta e até março estava com alta acumulada em torno de 5%. Mas, nas últimas semanas, deu um salto e deve subir mais", prevê o vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Martinho Paiva Moreira. O preço médio da saca do produto em abril ficou em R$ 65. Em março, era de R$ 57,70. "O preço do arroz subiu no mercado internacional por vários motivos e há escassez do produto", diz o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira. A demanda mundial também explodiu, lembra, principalmente na Ásia, onde se consome muito arroz. O Brasil, embora seja produtor, não teve uma safra muito boa para elevar os estoques domésticos diante de uma economia aquecida. "Os dois países que nos abastecem para equilibrar a oferta, Argentina e Uruguai também elevaram seus preços ." O resultado desse cenário, diz Silveira, é escassez e alta de preços. No atacado, segundo levantamento da RC Consultores, em abril o preço do arroz subiu 23% em relação a abril do ano passado e está 20% acima de dezembro. Na comparação com março, a alta é de 14%."O arroz pode ficar em alta algum tempo, mas a demanda tende a se ajustar e os preços devem cair", prevê. O trigo é outro produto com alta de preço que está pressionando toda a cadeia de farináceos. "Nos últimos 45 dias, a farinha para a indústria de biscoito aumentou quase 50%. Essa alta ainda não chegou totalmente ao bolso do consumidor, mas os fornecedores já estão falando em reajuste de 20%", diz o vice-presidente da Apas.Ele prevê para maio reajustes nos preços de macarrão, biscoitos, bolos e demais produtos que utilizam farinha de trigo como matéria-prima.No atacado, o trigo está com aumento de 55% este mês em relação a abril de 2007 e uma alta de 8% na comparação com março.O óleo de soja, também com aumentos sucessivos, registra alta nos supermercados paulistas de 56, 18% nos últimos 12 meses até março. "O óleo de soja está custando para o consumidor em torno de R$ 3,20. Há 8 meses, custava entre R$ 1,70 e R$ 1,90", diz Moreira.No atacado, em abril, o produto apresenta alta de 3%, mas, segundo Fábio Silveira, os preços tendem a diminuir porque a soja está caindo de preço. Na Bolsa de Cereais de São Paulo, a queda em abril no preço do grão é de 4,3% em relação a março."Na verdade, o que se vê mais é uma flutuação de preços, com altas e quedas. Mas o problema é que alguns dos aumentos, como é o caso do arroz, provocam um estrago maior pelo peso que têm no índice de inflação", diz Silveira. Sua percepção é que a alta de preços se esgotará logo. Em março, o preço da cesta de alimentos e produtos de higiene da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) teve aumento real de 9,58%.

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