Depois do Glória, Eike negocia Morro da Viúva

Empresário está prestes a vender para franceses o projeto hoteleiro no Rio

Mariana Durão e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2014 | 02h08

O processo de desmanche do império X, de Eike Batista, chegou também ao braço imobiliário do grupo, a empresa REX. O fundo suíço Acron confirmou ontem a compra do Hotel Glória, um dos mais tradicionais do País. A REX também está em vias de transferir o projeto hoteleiro no edifício do Morro da Viúva, no Flamengo, zona sul do Rio. O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou que a francesa Natekko está quase fechando a compra.

O negócio com os franceses terá que ser aprovado pela diretoria do Clube de Regatas do Flamengo, dono do edifício Hilton Santos (conhecido como Morro da Viúva). O clube concedeu o prédio para exploração por 25 anos renováveis e já recebeu a título de arrendamento R$ 18 milhões da REX.

O vice-presidente de futebol do Flamengo, Wallim Vasconcellos, confirmou as negociações para a saída da REX e disse que o Flamengo fez uma contraproposta. "O Flamengo está participando das negociações porque tem que dar anuência", disse, sem confirmar o nome do grupo francês.

Segundo o executivo, as bases do contrato de arrendamento seriam mantidas, mas o clube está renegociando alguns pontos. A REX pretendia construir um hotel de luxo no local, mas com a crise do grupo X resolveu abandonar a empreitada.

Localizado num dos metros quadrados mais valorizados do Rio, com vista para o Pão de Açúcar, o imóvel tem 160 apartamentos que deverão ser convertidos em 300 quartos de hotel. A REX estimava investir R$ 120 milhões.

A Natekko trabalha com projetos sustentáveis de construção civil na França. A empresa prevê inaugurar este mês, no Centro do Rio, seu primeiro prédio comercial no Brasil, com investimento de R$ 50 milhões.

Já no caso do projeto mais famoso, a reforma do Hotel Glória, o contrato de venda foi firmado pela REX no sábado. Em comunicado, a suíça Acron admitiu que a reinauguração do cinco estrelas - em obras desde 2008 - só ocorrerá em dezembro de 2015 ou em 2016. Ou seja, o hotel, ficará de fora da Copa do Mundo de 2014.

A Acron continua negociando a administração do hotel com cinco importantes redes globais, inclusive a rede Four Seasons. Após a reforma, o hotel terá 352 quartos, restaurantes, um teatro, lojas, e piscina com vista para o Pão de Açúcar.

A empresa suíça criou um fundo, sediado em Luxemburgo, em que oferece cotas do empreendimento a investidores qualificados. O investimento deverá girar em torno de R$ 500 milhões. / COLABOROU JAMIL CHADE

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