Depois do prejuízo, grupo Silvio Santos volta ao azul

Conglomerado fechou 2009 com prejuízo de R$ 7,6 bilhões e deve atingir lucro de R$ 100 milhões em 2010

Clayton Netz,

19 de setembro de 2010 | 21h43

O grupo Silvio Santos fechou 2009 com um prejuízo de R$ 7,6 milhões. Nada que alarme um conglomerado que faturou R$ 4,6 bilhões, emprega mais de 8 mil funcionários e tem sob seu guarda-chuva um portfólio de negócios que vai de uma das principais redes brasileiras de televisão, o SBT, ao PanAmericano, um dos 20 maiores bancos nacionais por patrimônio, passando por uma rede de varejo (Lojas do Baú Crediário), uma fabricante de cosméticos (Jequiti) e uma companhia imobiliária (Sisan), entre outros.

Mas não deixa de ser incômodo. "No ano passado, sentimos os reflexos da crise de 2008, sobretudo no banco, no varejo e no braço imobiliário, nos quais fizemos investimentos de vulto", diz Luiz Sebastião Sandoval, presidente do grupo. "Porém, pelos números obtidos até aqui, dá para dizer que vamos dar uma bela virada nos resultados."

A expectativa de Sandoval, um dos mais longevos CEOs em atividade no País - há 26 anos no posto -, é atingir uma receita de R$ 5,8 bilhões, um crescimento de 26% sobre 2009, e voltar ao azul, com um lucro na casa dos R$ 100 milhões. Entre todas as empresas controladas pelo empresário Silvio Santos, ele aposta no desempenho do Panamericano, do braço imobiliário e da Jequiti, a marca de produtos de beleza. "Mas a bola da vez mesmo é o banco", diz Sandoval.

Para ele, a venda de 37% do capital para a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 730 milhões no fim do ano passado, representa um passo estratégico decisivo para o grupo. Primeiro, porque com parte dos recursos recebidos da Caixa, o grupo pôde equacionar uma dívida de R$ 446 milhões. Segundo, porque a associação deu mais notoriedade ao PanAmericano e lhe pavimentou o acesso a linhas de crédito mais baratas e a entrada em novas modalidades de financiamento. É o caso da carteira de veículos, que representa 50% dos ativos de R$ 13 bilhões do PanAmericano. Até recentemente, o banco financiava apenas carros usados. "Não podíamos competir com os bancos das montadoras. Com a Caixa, seremos mais competitivos e entraremos no mercado de veículos novos", diz Sandoval, que espera elevar para R$ 20 bilhões os ativos totais do banco.

Vocação. Depois do banco, que responde pela metade das receitas do grupo, a prioridade é dada à área imobiliária e à de cosméticos. Criada em 1990, a Sisan só há alguns anos começou a operar, ainda que timidamente, no mercado. O lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, porém, fez o grupo a levar mais a sério o negócio. "Temos vocação para trabalhar com a baixa renda", afirma Sandoval. Um de seus projetos é um megacondomínio com área de 1 milhão de metros quadrados, a ser construído num raio de 50 quilômetros de São Paulo. Uma espécie de Alphaville emergente, destinada aos consumidores da classe C, o projeto prevê a construção de 10 mil casas, com um valor geral de vendas de R$ 1,2 bilhão, no prazo de cinco anos. "Ainda não definimos o local."

O terceiro pilar do plano de crescimento do grupo é a fábrica de cosméticos Jequiti, que deverá fechar este ano com vendas de R$ 380 milhões, quase o dobro das de 2009, e com um exército de 160 mil consultoras. Até aqui com a produção totalmente terceirizada, a Jequiti deverá investir em fábricas próprias e dois novos centros de distribuição - um em Porto Alegre e outro no Nordeste. Uma das fábricas, de menor porte, será construída em Osasco, na Grande São Paulo. A outra, que deverá responder pelo fornecimento de 80% dos produtos da marca, ainda não tem endereço definido.  

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