Depois do resultado esperado, discute-se quando os juros cairão

Pela sétima reunião consecutiva, o Copom manteve a taxa básica de juros estacionada em 14,25% ao ano. Muito mais do que a conjuntura econômica, as circunstâncias políticas determinaram a decisão, unânime, dos diretores do Banco Central. Ao repetir os termos vagos e lacônicos do anterior, o comunicado, divulgado na sequência, apenas refletiu a situação peculiar em que o Copom tomou sua decisão – literalmente na véspera da posse de um novo presidente do BC, indicado por um novo governo, em tudo oposto, na economia, ao que substituiu.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2016 | 21h43

No período em que os juros básicos ficaram estacionados – o mais longo ciclo de estabilidade da taxa desde a introdução do regime de metas de inflação –, de fins de julho de 2015 até agora, a inflação avançou, no acumulado em 12 meses, de 6,5% a 9,32%, passando por um pico de 10,71%, em janeiro deste ano. A paralisia do Copom deixou claro que, diante do aumento exponencial dos desequilíbrios fiscais e da consequente escalada da dívida pública, em situação de dominância fiscal ou no seu limiar, a política monetária perdeu eficácia.

Discute-se agora quando os juros começarão a cair e em que proporção. A tendência de queda da inflação, que se mantém apenas com ligeiras altas, apesar dos repiques de abril e maio, abre, sem dúvida, espaço para cortes nas taxas básicas.

Os episódios de resistência a quedas que a inflação teima em apresentar, como os verificados em meses anteriores, contudo, assim como eventuais dificuldades na aprovação dos programas de ajuste em sua integridade, podem contribuir para adiar o início do ciclo de redução dos juros e frear a velocidade com que deve ser posto em prática.

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