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Depois do tomate, agora é a vez do feijão pressionar a inflação

Refeição tradicional do brasileiro já sobe no atacado , com alta de 25% em uma semana

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

17 de abril de 2013 | 19h29

SÃO PAULO - A refeição do dia a dia do brasileiro deverá continuar cara. Depois do aumento da salada puxada pela disparada do preço do tomate e da cebola, será a vez do arroz com feijão pesar no orçamento do consumidor.

Segundo o economista e sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, o tomate pode deixar de pressionar a inflação de hortaliças e verduras, mas o feijão tomará o lugar de vilão da inflação no grupo alimentar de grãos ao longo das próximas semanas.

"A inflação de alimentos não vai dar sossego. O preço do feijão já está subindo", alertou Daoud. Segundo o especialista, o aumento de preço decorre da incapacidade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em garantir preço mínimo, no ano passado, com a compra de estoques.

Isso ocorreu porque, de segundo ele, o preço do saco de feijão no atacado permaneceu durante todo o ano de 2012 acima do preço do mínimo.

 

Segundo o AE Agronegócios, serviço especializado da Agência Estado, no Paraná - maior produtor de feijão do País -, o preço da saca de 30 quilos do grão subiu 25,85% para R$ 154,66 só no período de 8 a 11 de abril, em relação à semana anterior, quando a saca era negociada no atacado a R$ 122,89.

 

A própria Conab, na semana passada, ao divulgar o sétimo levantamento de safra do grão, disse a produção do feijão tende a ser ainda menor nos próximos levantamentos, em virtude do "clima chuvoso no Sul do País e seco no Nordeste.

"No total, a expectativa é a de que a safra 2012/13 poderá chegar a de 2,987 milhões de toneladas de feijão, em comparação com 2,919 milhões de toneladas na safra anterior, representando um aumento pequeno de 2,3%.

 

Na ponta do consumidor, segundo mostrou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), só na segunda quadrissemana, período de 30 dias encerrados no último dia 15, o preço do feijão subiu 5,06%.

 

O economista explica que a questão nem passa pelo peso do produto na composição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é pequeno, mas pela capacidade que ele tem de disseminar inflação. Para se ter uma ideia, o peso dos feijões carioca, mulatinho, preto e fradinho, somados, no IPCA é de 0,43%.

O problema, de acordo com o economista, é que por ser um produto frequente na dieta do brasileiro, o feijão tem

poder para disseminar inflação por toda a refeição dentro e fora do domicílio.

 

"Uma inflação desta natureza acaba se espalhando porque atinge o orçamento das pessoas comuns. Quando a sensação de inflação está apenas com os agentes econômicos, o ministro da Fazenda ou o presidente do Banco Central falam e as expectativas acabam sendo controladas. Mas quando atinge a população, não adianta nem Mantega e nem Tombini falarem porque as pessoas comuns não os ouvem", observou Daoud.

 

Segundo o diretor da Global Financial Advisor, a disseminação da alta de preço de um produto como o feijão acontece porque ao ver o aumento, o vendedor de outros produtos também reajustam seus preços.

"Foi o que aconteceu com o tomate. Ao ver o preço subir, o vendedor de vagem, de pimentão e de outros legumes resolve aumentar seus preços também", explicou.

Esse tipo de movimento acaba batendo em outros segmentos da economia. Para ele, barbeiros, cabeleireiros e tintureiros tendem a majorar seus preços por estarem pagando mais caro pela refeição.

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