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Depois dos EUA, Fogo de Chão mira dois países

Empresa deve anunciar os novos mercados em 2015, quando for abrir o capital em NY

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h10

Mesmo com a crise americana, os Estados Unidos continuaram sendo o foco dos investimentos da churrascaria Fogo de Chão, que nasceu no Rio Grande do Sul e na década de 90 começou a se internacionalizar. Neste ano, a rede aplicou cerca de US$ 25 milhões em quatro novos restaurantes. E só um, que abre as portas no fim de novembro, será no Brasil, na tradicional Rua Augusta, no bairro dos Jardins. Os outros três ficam nos EUA: San Diego, Rosemont e Nova York.

Fincar bandeira em Manhattan, com uma unidade localizada na Rua 53, entre a 5.ª e a 6.ª avenida, que começa a funcionar em dezembro, era o grande desafio da rede. A empresa também se prepara para ingressar na Bolsa de Nova York em 2015. A intenção é obter recursos para financiar a expansão em mais dois países. Os nomes dos novos destinos são mantidos sob sigilo para não inflacionar os custos do projeto.

A dinâmica dos investimentos da companhia para um período de cinco anos foi traçada em agosto do ano passado, quando o fundo americano Thomas H. Lee Partners, com sede em Boston, comprou por US$ 400 milhões a totalidade da empresa do GP. Sob nova direção, decidiu-se, na época, que seriam investidos em cinco anos US$ 100 milhões. A cada ano, seriam inaugurados de um a dois restaurantes no Brasil e de três a quatro nos EUA.

"As chances são melhores nos EUA, mesmo com a crise", afirma o presidente de Operações da rede no Brasil, Jandir Dalberto. No ano passado, por exemplo, dos US$ 205 milhões que o grupo faturou, 72% vieram dos EUA e 28% do Brasil. Com as inaugurações previstas até o final do ano, serão 9 restaurantes em funcionamento no Brasil e 22 nos Estados Unidos.

Considerando o mesmo número de restaurantes, o crescimento da receita em dólar nos EUA em 2012 foi de 10% na comparação com 2011. Enquanto isso, no Brasil, a expansão foi 4% e em reais, que é uma moeda menos valorizada do que o dólar.

Dalberto, que começou como garçom na rede em 1990 e acompanhou de perto praticamente toda a evolução da empresa, fundada em 1979 em Porto Alegre (RS), resume em uma frase o fato de os EUA serem a menina dos olhos da companhia: "Lá o custo operacional é menor comparativamente ao do Brasil e o valor gasto por pessoa no restaurante é maior".

Entre o gasto fixo com o rodízio e bebidas, o americano desembolsa, em média, US$ 86 cada vez que vai ao Fogo de Chão. Já o brasileiro deixa US$ 59. É que os americanos bebem mais e preferem o vinho, uma bebida mais cara para acompanhar o churrasco, conta o executivo.

O outro fator que explica a vantagem competitiva dos EUA em relação ao Brasil é o custo. Segundo o diretor, a despesa com energia elétrica e aluguel no restaurante de Houston, no Texas, que tem tamanho equivalente ao restaurante do Center Norte, em São Paulo, é cerca de 30% menor.

Marca. O que também ajuda o mercado americano ser a estrela do negócio de rodízio de carnes é a falta de concorrência. "Existem restaurantes de rodízio nos EUA, mas não do mesmo padrão do Fogo de Chão. Somos líderes lá e tem fila na porta do restaurante", conta o diretor. A rede tem um estudo mostrando que há 52 cidades nos EUA com potencial para ter um restaurante Fogo de Chão. "Normalmente vamos para cidades com 2,5 milhões de habitantes."

Além de acelerar a internacionalização fora dos EUA, a rede tem planos de criar valor na sua marca. O pontapé inicial será dado na loja da Rua Augusta, onde serão vendidos produtos da marca. Inicialmente, serão comercializados uma cachaça gaúcha e quatro rótulos de vinho. A meta é, no futuro, vender carne Fogo de Chão.

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