Depósito de banco grande cresce no auge da crise

Dados de setembro e outubro mostram que maioria das instituições de grande porte ganhou depósitos, enquanto pequenas e médias perderam

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

No auge da crise financeira global, em outubro do ano passado, os brasileiros migraram dos bancos de pequeno e médio porte para os grandes. É o que mostra um levantamento feito pela Austin Rating, a pedido do Estado, com base nos balancetes das instituições disponíveis no site do Banco Central (BC). Os números revelam que, de setembro para outubro, os depósitos totais do Banco do Brasil cresceram 5,3%, os do Bradesco, 5,4%, os do Itaú, 3,5% e os da Caixa Econômica Federal, 1,9%. Na outra ponta, instituições como Bicbanco, BBM, Panamericano e Daycoval tiveram uma perda dos depósitos totais na faixa de 20% de um mês para o outro."Isso reflete o nervosismo daquele momento", diz o analista de instituições financeiras da Austin, Luís Miguel Santacreu. "Com as medidas do Banco Central para aliviar a liquidez do mercado e a retomada da confiança, a situação voltou ao normal. Podemos esperar que, com o arsenal de medidas do BC, nenhum banco quebrará no Brasil por causa desse tipo de problema."Desde que a crise financeira piorou, após a concordata do banco de investimentos Lehman Brothers em 15 de setembro, outubro foi o mês mais difícil para os mercados (ao menos até agora). Exemplo disso é o comportamento do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), principal termômetro do mercado acionário brasileiro. Em setembro, o indicador caiu 11,02%, em outubro, 24,8%, em novembro, 1,8%, e em dezembro, subiu 2,6%. Além da tensão decorrente da piora do cenário externo, o mercado brasileiro viveu em outubro uma onda de boatos, causada, principalmente, pelas incertezas, naquele momento, em torno da exposição de bancos e empresas aos produtos financeiros que ficaram conhecidos como derivativos tóxicos.Companhias tomavam empréstimos em bancos com o compromisso de repagá-los de acordo com a variação do dólar em um determinado período de tempo. Com a valorização da moeda americana que se seguiu ao aprofundamento da crise, muitas tiveram dificuldades de honrar esses compromissos. Quando as histórias começaram a vir a público, muitos investidores também passaram a temer pela saúde dos bancos que tinham feito as operações. Foi isso, em parte, que explicou a migração de recursos entre os bancos. Santacreu acrescenta outro fator: a agressividade das instituições grandes para captar recursos por meio dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Foi uma estratégia usada por alguns bancos para enfrentar a escassez de recursos vindos do exterior. "Houve banco grande que, antes da piora da crise, pagava pelo CDB 80% do CDI (taxa de juros de referência do mercado interbancário). Depois, chegou a oferecer até 100% do CDI para quem mantivesse o dinheiro aplicado por mais de um ano", exemplifica o analista. Em setembro e outubro, o BC anunciou várias medidas para aliviar as restrições, entre elas o relaxamento dos depósitos compulsórios - dinheiro que os bancos devem deixar parado no BC.

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