Depósitos compulsórios caem, mas continuam altos

A redução dos recolhimentos compulsórios dos bancos ao Banco Central (BC), anunciada sexta-feira, é uma decisão acertada, adotada no mesmo dia em que foi comunicada a liquidação do Banco Cruzeiro do Sul. Mas os compulsórios ainda são elevados, no Brasil, e provavelmente serão reduzidos ainda mais.

O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 03h04

Eles fazem parte do tripé da política monetária clássica, juntamente com o redesconto bancário e o mercado aberto. Mas os bancos tendem a evitar o redesconto para não evidenciarem problemas de liquidez. Quanto ao mercado aberto, a liquidez dos títulos públicos é altíssima, pois os investidores têm confiança no BC. A diferença, portanto, está nos compulsórios, cuja diminuição pode significar um poderoso estímulo ao crédito.

A soma dos recolhimentos compulsórios e do encaixe obrigatório dos bancos é de cerca de R$ 300 bilhões, excluído o compulsório sobre as cadernetas de poupança. Uma parte disso (R$ 132,7 bilhões, a dados de julho) foi imposta em 2002, é remunerada pela Selic e está sendo, agora, modificada. O adicional sobre os depósitos à vista caiu de 6% para zero e sobre os depósitos a prazo, de 12% para 11%. Até metade da parte principal do compulsório pode ser usada para a compra de carteiras de crédito e de letras financeiras de bancos menores.

Ao todo, poderão ser liberados R$ 30 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões foram ontem para os bancos, outros R$ 7 bilhões serão liberados dia 29 de outubro e R$ 14 bilhões permitirão a compra de carteiras. O BC abriu uma janela para os bancos pequenos que dispõem de boas carteiras. Porém não se deve esquecer de que a liquidação do Cruzeiro do Sul e a venda de outros bancos, nos últimos meses, resultaram de créditos podres. E as autoridades mostraram que estão prontas para agir rápido. A analista financeira Zeina Latif notou que os pequenos vinham se financiando no mercado a taxas muito altas.

A justificativa oficial é de que menos compulsório favorece o crédito e a redução dos juros cobrados dos tomadores, que continuam elevados. Mas a parte principal do compulsório sobre os grandes bancos continua sendo de 44%, sobre depósitos à vista, e de 20%, sobre depósitos a prazo. É excessivo, admitiu ao Estado (15/9) o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes. O compulsório cairá apenas de 9% do PIB para 8,5% do PIB, calculou.

Ainda assim, se a queda dos juros se acelerar, o momento da redução do compulsório terá sido adequado.

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