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Depreciação cambial pode afetar demanda de petróleo

A desvalorização cambial em alguns mercados emergentes pode desacelerar a demanda mundial por petróleo, segundo o relatório da Agência Internacional de Energia sobre o mercado de petróleo. A Agência disse que a pressão sobre os emergentes pode fazer com que eles revertam os subsídios utilizados para proteger suas indústrias e os consumidores privados dos altos preços globais de petróleo.

AE, Agencia Estado

12 de setembro de 2013 | 08h10

Apesar disso, a demanda geral por petróleo de mercados emergentes ainda deve subir a um ritmo relativamente rápido no segundo semestre de 2013, especialmente em comparação com países da OCDE. Segundo a AIE, o avanço deve ficar em torno de 2,6% no ano, uma tendência bem baixo da média dos cinco anos anteriores de cerca de 3,6%. A demanda de petróleo da China deverá crescer 3,8% este ano.

Se a desvalorização da moeda continuar, "o efeito adverso da demanda será mais significativo".

A demanda mundial de petróleo em 2013 deverá ficar, em média, em 90,9 milhões de barris por dia, chegando a 92 milhões de barris por dia no próximo ano, disse a AIE.

Índia, Indonésia, Malásia, Peru, Filipinas e Tailândia estão entre os países cujas moedas se desvalorizaram mais em relação ao dólar dos EUA nas últimas semanas. A queda no valor das divisas foi impulsionada por uma combinação de déficits em conta corrente e especulação sobre o futuro da política monetária dos EUA, disse a AIE no relatório.

"Já como o petróleo é cotado em dólar, quando a moeda de um país importador de petróleo cai em relação ao dólar, a sua conta de importação de petróleo sobe em moeda nacional. Dada a amplitude da desvalorização cambial recente, somando aos já elevados preços do petróleo em termos de dólares, os movimentos cambiais mais podem se traduzir em menor consumo de petróleo ao longo do tempo", disse a agência.

"No longo prazo, os governos provavelmente ficarão menos capazes de proteger os consumidores de petróleo contra os efeitos de preços, uma vez que a desvalorização da moeda torna os subsídios cada vez mais pesados e, em última análise, inviáveis."

A rupia indiana perdeu quase um terço de seu valor em relação ao dólar nos quatro meses até ao final de agosto. Já como a Índia depende de importações para 78% do petróleo que utiliza, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, pediu ao Ministério do Petróleo que encontre formas de reduzir a conta da importação de petróleo em US$ 25 bilhões.

O crescimento mais lento da demanda de petróleo dos grandes importadores de petróleo, como a Índia, poderia ajudar a conter os preços impulsionados pelos problemas na Líbia, que reduziu a produção de petróleo. Entre outros fatores que têm elevado o valor dos contratos estão as preocupações sobre a potencial interrupção de oferta de petróleo do Oriente Médio caso sejam lançados ataques militares liderados pelos EUA contra a Síria.

Os preços do petróleo na Nymex atingiram os níveis mais altos em 28 meses na semana passada, embora tenham recuado desde então. Os movimentos diplomáticos para colocar o arsenal de armas químicas da Síria sob controle internacional amenizaram as temores sobre a intervenção militar na Síria.

"É muito cedo para prever o impacto dessas oscilações cambiais, uma vez que ainda temos de ver o alcance final da depreciação", disse a agência. Avaliar o impacto macroeconômico e os efeitos sobre o consumo de petróleo, ou o grau de mudança nos programas de subsídios também foram destacados como difíceis de medir. Fonte: Dow Jones Newswires.

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