Deputado diz que FHC boicotou reforma tributária

O presidente Fernando Henrique Cardoso pode encontrar amanhã, no encerramento do XII Congresso Brasileiro da Confederação das Associações Comerciais do Brasil, um clima nada amistoso. No debate realizado hoje sobre a reforma tributária, o deputado Germano Rigotto (PMDB-RS) acusou o governo de ter boicotado a reforma. De acordo com o deputado, o Presidente da República foi convencido pela equipe econômica a não fazê-la. "Fui enganado", disse Rigotto, que saiu do encontro bastante aplaudido. Com a credibilidade de quem foi líder do governo e depois presidente da Comissão da Reforma Tributária, Rigotto garantiu aos empresários que é impossível aprová-la neste ano. "As oposições que não existiam passaram a existir por conta das eleições", argumentou. O deputado disse que o poder de pressão está nas mãos dos empresários, e sugeriu um dia de paralisação para forçar o governo a tomar uma posição. Na mesma tecla de Rigotto já tinha batido o deputado Delfim Netto (PPB-SP). De acordo com o deputado, o governo não quis a reforma por um motivo bastante simples: para não dividir a arrecadação com os Estados. Segundo Delfim, o governo optou por aumentar a arrecadação com base nas contribuições, que ficam todas com a União. "O governo conseguiu o aumento da receita da ordem de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) com base nas contribuições", disse. De acordo com Delfim, as razões do governo são até compreensíveis. Ele explicou que, para manter a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) dentro de parâmetros razoáveis, o governo precisa fazer um superávit primário de 3,5% do PIB. Esse superávit, segundo Delfim, é obtido com a arrecadação das contribuições. Tanto Delfim Netto quanto os demais deputados que participaram do Congresso das Associações comerciais insistiram que a reforma tributária terá que ser feita pelo próximo governo, seja ele quem for. "Espero que cada candidato seja julgado pela qualidade da proposta tributária que apresentar", disse Delfim.

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