André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Deputado diz que haverá proposta mais clara da Previdência em 48 horas

Nas contas do deputado Darcisio Perondi (PMDB-RS) , o governo tem entre 250 e 260 votos para aprovar o texto e nas próximas duas semanas vai reaglutinar a base para chegar aos 308 votos necessários

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2017 | 12h33

BRASÍLIA - O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) afirmou nesta quarta-feira, 8, no Palácio do Planalto, que durante a reunião com o presidente Michel Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ficou acertado que será apresentada uma emenda ao relatório da reforma da previdência para tentar facilitar a sua aprovação. De acordo com Perondi, a emenda será apresentada pelo relator da proposta, deputado Arthur Maia, que também esteve na reunião.

"Haverá uma emenda substitutiva. Vocês já sabem que o texto da comissão está pronto. Só pode ser mudado no plenário e isso só se faz com uma emenda aglutinativa. Consultores da Câmara, muitos deputados durante este período de dois, três meses onde o senhor Janot boicotou a reforma da previdência este grupo continuou estudando. A proposta ficará melhor, mais acessível, mas não se fechou", disse.

Perondi disse ainda que hoje às 19 horas será feita uma outra reunião no Palácio do Planalto com os mesmos participantes do encontro dessa manhã. Antes, às 17 horas, Arthur Maia já convocou uma coletiva.

Perondi - que é tido como um dos deputados da tropa da choque do presidente - disse que a reunião de hoje cedo foi "ótima", mas reconheceu que há dificuldades. "É obvio que há dificuldades porque esta é a mãe de todas as reformas. Uma decisão que foi tomada já na segunda-feira e hoje avançou vai ser mantido tudo que saiu da proposta original em relação aos privilégios escandalosos dos altos salários do serviço público, que eu chamo de privilegiatura", disse.

+ Todas as minhas energias estão voltadas para a aprovação da Previdência, diz Temer

Nas contas do deputado hoje o governo tem entre 250 e 260 votos para aprovar o texto e nas próximas duas semanas vai construir e reaglutinar a base para chegar aos 308 votos necessários para que a matéria avance. "O tempo é curto, mas se a casa quiser da pra aprovar", disse. Perondi destacou que concorda com a visão de Maia de que o governo tem que fazer sua parte para reorganizar a base. "Alguns lideres que precisam serem mais trabalhados, que tem alguns que estão descontentes. O tempo é curto, mas o tempo existe e é possível", reforçou.

Perondi disse ainda que a idade mínima que está no relatório "já foi uma conquista da sociedade e dos deputados". "Ficou 62 mulher e 65 homem e 20 anos pra chegar e isso há relativo consenso. E tempo de contribuição está sendo discutido ali na Casa. A emenda é apresentada pelo Arthur Maia, hoje o deputado que mais sabe de previdência", disse.

Por trás da declaração de anteontem, 6, do presidente Temer, que foi interpretada como se o governo tivesse jogado a toalha, há a estratégia do Planalto de dividir com a cúpula do Congresso e transferir, sobretudo, para Maia a responsabilidade da aprovação da proposta. Ontem, em vídeo, Temer afirmou ter cumprido seu dever ao propor uma reforma ao Congresso que corta privilégios. "Quero transmitir minha ideia de que toda minha energia está voltada para concluir a reforma da Previdência", disse.

Em construção. Perondi rechaçou a ideia de a emenda substitutiva vá reduzir muito a reforma, afirmou que "é o mesmo texto com melhoras" e comentou as declarações que o ministro Meirelles estava dando no mesmo momento na Fazenda, reconhecendo que os líderes consideram difícil a  votação do texto atual. Questionado pela imprensa, Meirelles não descartou categoricamente mudanças que poderiam deixar o texto mais enxuto.

Perondi disse que se Meirelles tivesse negado a existência da emenda não há "contradito", pois é uma negociação. Segundo o deputado, é natural que o ministro da fazenda nesses debates defenda o texto que ajuda o máximo a recuperação fiscal. "Não houve atrito, eu sou político, Meirelles deu uma opinião técnica", disse.

Perondi reafirmou que a emenda é uma solução fundamental para que o texto avance. "É matar ou morrer", disse.

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