Deputado petista aprova intervenção no preço do gás

A disposição do governo de intervir, caso necessário, no preço do gás de cozinha foi bem aceita pelo deputado federal pelo PT e ex-presidente do Sindicato dos Petroleiros da Região de Paulínia, Luciano Zica. Para o parlamentar, a intervenção já deveria ter sido feita há muito tempo. "Só espero que isso, se vier a acontecer, não seja apenas uma medida eleitoreira", diz Zica. O ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, disse hoje que, se o governo tiver mesmo que intervir no preço do gás, o preço ideal, no momento, seria de R$ 23,00. Para o consumidor que adquire o produto do caminhão, na porta de casa, o gás está saindo a R$ 29,90 o bujão de 13 quilos, ou 30% acima do preço considerado ideal pelo ministro. Nos depósitos, o consumidor desembolsa em torno de R$ 25,00, ou 19,6% a mais. Para o deputado Luciano Zica, o preço condizente às condições da maioria da população que usa o gás de bujão seria de R$ 17,00. "Desde a vigência da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide), no início do ano, eu defendo que o preço do gás de cozinha não deveria ser liberado. A Cide, antes de ser um instrumento de arrecadação deveria funcionar como um amortecedor para assimilar o impacto da oscilação do dólar e do preço do petróleo no mercado externo", afirma o deputado. Em dezembro, quando se discutia o fim da Parcela de Preços Específica (PPE) e a criação da Cide, o deputado entrou com uma representação do Ministério Público, sugerindo a manutenção do subsídio ao gás e o tabelamento dos preços. Ele diz ainda que conseguiu colocar no Programa de Governo do PT para o candidato à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, proposta para que o gás de cozinha tenha um porcentual dentro da cesta básica, que antes da liberação do preço do GLP era de menos de 10% do salário mínimo, de R$ 180,00. O gás de cozinha, até o começo do ano, tinha um subsídio de R$ 0,15 por quilo do produto. "A partir de então, o gás passou a ser vendido a preço de mercado, pelo preço de produção mais carga tributária", diz o deputado. De julho de 1994, quando iniciou o Plano Real, até junho deste ano, enquanto o IPC-Fipe variou 103,19%, o gás subiu 398,66%. No acumulado de 12 meses até o mês passado, o IPC registrou uma variação de 5,75% contra uma alta de 40,20% do GLP. Em junho, comparativamente a maio, o IPC-Fipe subiu 0,31%, sendo que o gás de cozinha teve seu preço reajustado em 6,63%, em média.

Agencia Estado,

25 de julho de 2002 | 15h14

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