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Derivativo leva Sadia a prejuízo de R$ 2,5 bi

Dívida líquida da empresa em dezembro era de R$ 6,7 bilhões

Tatiana Freitas, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

As operações com derivativos cambiais levaram a Sadia a registrar em 2008 o primeiro prejuízo anual de seus 64 anos de história. No ano, as perdas líquidas chegaram a R$ 2,5 bilhões. Apenas no quarto trimestre, a perda foi de R$ 2 bilhões. Segundo a empresa, em razão da nova lei contábil, a 11.638/07, os derivativos foram contabilizados pelo seu valor justo e os potenciais ganhos e perdas foram reconhecidos no resultado de 2008, mesmo antes de suas realizações, o que elevou o prejuízo. Sem antecipar em 2008 as perdas que terá este ano, a empresa diz que seu prejuízo seria de R$ 468 milhões.Os efeitos da nova lei contábil também se fizeram sentir no endividamento líquido da empresa, que chegou a R$ 6,7 bilhões em dezembro. Sem os efeitos da lei, o endividamento líquido seria de R$ 4,7 bilhões, mas a empresa teve de somar a isso os R$ 1,9 bilhão de perdas com operações com derivativos tóxicos.Apesar do final de ano turbulento, a empresa registrou crescimento na receita em 2008. A receita líquida fechou com alta de 23,2%, chegando a R$ 10,7 bilhões, enquanto a receita bruta ficou em R$ 12,2 bilhões, a maior da história da empresa, segundo comunicado. Segundo o diretor de relações com investidores da Sadia, Welson Teixeira Junior, o resultado financeiro líquido da companhia ficou negativo em R$ 3,9 bilhões no ano passado, dos quais R$ 2,5 bilhões podem ser atribuídos exclusivamente a despesas com derivativos. A empresa tem contratos de derivativos cambiais em aberto até setembro deste ano. DÍVIDA DE CURTO PRAZOA Sadia tem uma dívida bruta de curto prazo de R$ 4,164 bilhões, o que representa 48,7% de seu passivo financeiro total, que soma R$ 8,549 bilhões. Segundo Teixeira, a companhia tem ativos financeiros no valor de R$ 3,5 bilhões, resultando em uma dívida líquida de R$ 655 milhões de curto prazo.Do total a vencer no curto prazo, o executivo comentou que aproximadamente R$ 1,4 bilhão tem vencimento no primeiro trimestre de 2009 e que praticamente a totalidade desse valor já foi renovada pela companhia pelo prazo de 180 a 360 dias. Para o segundo trimestre, ele revelou que há uma parcela "muito pequena" para vencer. No terceiro trimestre, no entanto, vencem dívidas de cerca de R$ 2 bilhões. "Temos seis meses, até setembro, para realizar duas formas de capitalização para honrar esses compromissos. Podemos conseguir esse valor por meio de uma associação com outros grupos ou por meio da venda de alguns ativos", disse. A Sadia estima que pode conseguir aproximadamente R$ 1 bilhão com a venda de alguns ativos não operacionais ou até mesmo alguns operacionais que não façam parte da "cadeia de valor" da Sadia. O diretor-presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni, admitiu que entre os ativos operacionais que podem estar sob avaliação de venda estão a fábrica da Rússia e a unidade de bovinos de Várzea Grande (MT). "Temos algumas conversas a respeito da fábrica da Rússia porque há alguns interessados. Estamos avaliando, porque, com a crise, as perspectivas para o mercado lá mudaram muito. Pode ser uma oportunidade dentro desse contexto." Quanto à unidade de Várzea Grande, Tomazoni lembrou que a atividade em bovinos "deixou de ser oportunidade de crescimento para a empresa".A Sadia fechou o ano com uma posição de caixa de aproximadamente R$ 900 milhões. "Se tivéssemos R$ 2 bilhões em caixa seria melhor, mas os cerca de R$ 900 milhões estão bem dentro do que é administrável e necessário para tocar os negócios com tranquilidade", disse Tomazoni. "Do ponto de vista de solvência, a empresa está equilibrada."

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