Derivativos são opção de diversificação

O otimismo que dita o tom das análises do mercado financeiro para o próximo ano sugere que este pode ser o momento de correr certo risco para tentar ampliar o rendimento da renda fixa diversificando a carteira de investimentos. Uma opção que abrange desde perfis conservadores até os mais agressivos são os fundos multimercado que, além da possibilidade de alocar ativos de renda fixa e de renda variável, podem investir em derivativos. Nessa modalidade, os recursos podem ser distribuídos nos mercados de opções, futuro e a termo. São segmentos derivados, como diz o nome, entre outros, dos mercados à vista de ações, juros e dólar. A aplicação consiste em apostas de gestores sobre o valor futuro de determinada mercadoria, índice, taxa de referência ou título. Existem, nessa categoria, desde fundos que prometem rendimento equivalente a 105% do CDI (juros cobrados nos repasses entre bancos) até 300% dessa taxa. Quanto maior a probabilidade de ganho, maior também o risco da aplicação. A escolha, portanto, deve ser feita de acordo com o perfil de cada um, diz o gestor do Banco Prósper, Eduardo Ataíde. A decisão, portanto, deve considerar não apenas quanto o investidor pretende ganhar, mas também quanto se dispõe a perder se a estratégia do gestor for malsucedida. Entre os mais agressivos, incluem-se fundos com alavancagem, que investem quantias superiores ao patrimônio da carteira e nos quais os cotistas poderão alocar mais recursos em uma eventual perda. O sócio-diretor da GAP Asset Management, Francisco Corrêa da Costa, diz que esses fundos são boa opção para diversificar o investimento por causa da perspectiva de queda dos juros e valorização da bolsa. Ele explica que, costumeiramente, os fundos multimercado embutem relação risco-retorno intermediária entre aplicações em renda fixa e em ações. É importante, nesses fundos, que se saiba o risco do investimento. Mas é aí que começa a dificuldade, porque os regulamentos são, em geral, bastante genéricos e não deixam claro o risco que o gestor pode correr. O executivo da GAP aponta ainda a necessidade de avaliar a solidez da instituição financeira e o gestor da carteira. "Se o fundo tem bom histórico, mas mudou de gestor, o retorno será ainda mais incerto." Ataíde acrescenta que, podendo o gestor atuar em qualquer segmento de derivativos, ele torna-se determinante no desempenho. Costa orienta os cotistas que acompanhem sempre os balanços do fundo para saber as posições do gestor. E diz que, em fundos alavancados, a exposição da carteira já diz muito. "Quanto mais alavancado e com contratos de prazo maior, mais risco oferece o fundo."

Agencia Estado,

17 Dezembro 2001 | 10h27

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