Renda extra

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Derivativos turbinam lucro do banco do JBS

Maior parte dos ganhos de 2011 com esses instrumentos financeiros se deu no terceiro trimestre, quando BC iniciou ciclo de cortes do juro básico

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h03

O banco Original, que pertence ao grupo JBS e recebeu um aporte de R$ 850 milhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em setembro, só conseguiu lucrar em 2011 graças a operações no mercado de derivativos - onde se negociam, por exemplo, contratos futuros de taxa de juros, de câmbio e de boi gordo.

Segundo balanço da instituição, o lucro líquido do conglomerado, que inclui o antigo banco JBS e o banco Matone (comprado pelo grupo), foi de R$ 158,6 milhões no ano passado. As receitas com derivativos somaram R$ 285,7 milhões no ano. Ou seja, descontados os resultados dessas operações, o Original teria encerrado seu primeiro ano de existência no vermelho.

Os números mostram ainda que a maior parte dos ganhos com derivativos se concentrou no terceiro trimestre - R$ 236 milhões. No fim de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) surpreendeu o sistema financeiro ao reduzir inesperadamente a taxa básica de juros (Selic) de 12,5% para 12% ao ano.

Segundo operadores de mercado, os poucos agentes que anteciparam aquela decisão ganharam muito dinheiro. Em entrevista ao Estado, o presidente do banco Original, Emerson Loureiro, disse que os ganhos resultaram também de apostas em juro futuro, mas não só.

"Tem de tudo: boi, por exemplo. Somos um banco do agronegócio", afirmou. "Tem câmbio também. O dólar teve um movimento muito grande no segundo semestre do ano passado: saiu de R$ 1,60 para R$ 1,90."

Segundo Loureiro, "o mercado mostrou, em diversos ativos, uma volatilidade que permitiu que as operações de tesouraria tivessem essa chance de ganho".

Surpresa. O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, observou que, nos últimos anos, "os ganhos de tesouraria vêm perdendo participação nos bancos brasileiros para outras atividades de intermediação financeira, como o crédito". Por isso, ele se surpreendeu com o peso dos derivativos nos resultados do banco Original.

Loureiro reconhece que se trata mesmo de uma situação atípica nas condições atuais do sistema financeiro nacional. Mas explica por quê. Segundo ele, no segundo semestre do ano passado, o grupo JBS fez um aporte total de R$ 1,85 bilhão no banco - que passou a incluir o então recém-comprado Matone. Desse dinheiro, R$ 1 bilhão era caixa do grupo e R$ 850 milhões do FGC.

"Quando você tem de rentabilizar um banco que ficou bem maior do que era em um prazo curto, operações de tesouraria (como derivativos) são uma possibilidade", disse. "Mas queria deixar claro que não temos a tesouraria como um fim. É um meio de, no curto prazo, rentabilizarmos o banco."

Ainda assim, Santacreu nota que o Original está muito exposto no mercado de derivativos, que, por ser volátil, é muito arriscado. Ele observa que, no fim de 2011, o banco tinha mais de R$ 1 bilhão só em depósitos de garantias na BM&FBovespa, ante um patrimônio líquido de R$ 1,8 bilhão. Para operar derivativos na bolsa, qualquer agente é obrigado a fazer esses depósitos.

A questão levantada por Santacreu é a proporção desses depósitos em relação ao tamanho do banco. "Se eles errarem a mão nas apostas, ficarão vulneráveis. É arriscado." O Estado procurou o FGC, mas o fundo disse que não iria fazer comentários.

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