Derrota do PT ajuda a derrubar regra de tributação, prevê Ciesp

O presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Claudio Vaz, disse hoje que a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara é um indicador positivo para os empresários que tentam derrubar a MP 232, que prevê aumento da carga tributária. Na avaliação do empresário, o episódio deixou claro que, se em um ato tão importante, houve derrota para o partido do governo, isso significa que há um ambiente propício para a rejeição da MP.Vaz participa neste momento da manifestação da "Frente Brasileira Contra a MP 232", em São Paulo, ato que reúne cerca de 1.100 entidades das áreas de Serviços, Indústria e Comércio.O presidente do Ciesp ponderou, no entanto, que a derrota pode não ser tão positiva no aspecto institucional, já que o maior partido não conseguiu eleger seu candidato. Segundo ele, a vitória de Cavalcanti mostra uma fragilidade da base política do governo e indica que o Executivo precisa se abrir mais ao diálogo, em vez de impor suas posições."A Câmara deu mostras que tem independência. Para nós, isso significa que ela pode impedir a eventual aprovação da MP 232 nos moldes em que ela foi colocada pelo governo", afirmou o presidente do Ciesp. Para ele, a capacidade da sociedade aceitar o aumento sucessivo da carga tributária chegou ao limite. "A MP 232 foi a gota d´água", completou.Para Fiesp, impacto ainda é incertoO presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse hoje que prefere não se posicionar sobre o impacto da derrota do governo na Câmara no futuro da MP 232. Ele prefere conversar primeiro com o novo presidente da Casa, antes de fazer qualquer comentário.Questionado sobre se a derrota na Câmara facilitaria o diálogo com o governo, Skaf respondeu que, para ele, não há dificuldade em conversar com o Executivo. O empresário foi recebido, em Brasília, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes do Carnaval, e, na semana passada, pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci.Nos dois encontros, foram discutidos os termos da MP 232 que desagradam a indústria paulista, como o aumento da alíquota de Imposto de Renda para os prestadores de serviços, a tributação sobre investimentos no exterior e a perda de importância do Conselho de Contribuintes. "Nós não aceitaremos estes pontos", frisou Skaf. O empresário disse estar confiante de que a MP será modificada, ou pelo Executivo ou pelo Congresso.

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