Gabriela Biló/Estadão
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Derrota no Senado é mau prenúncio para plano de Guedes de corte de despesas

Decisão evidencia a pouca convicção com a estratégia construída pela área econômica para evitar o furo do teto

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2020 | 22h01

É mau prenúncio para a equipe econômica a decisão do Senado de derrubar o veto do presidente Jair Bolsonaro ao reajuste dos servidores federais, estaduais e municipais até o fim de 2021. Justamente a Casa que vai começar a discutir a proposta de corte de despesas obrigatórias e acionamento de gatilhos para evitar o estouro do teto de gastos disse não ao congelamento dos salários dos servidores.

O resultado da votação demostra pouca convicção com a estratégia que está sendo construída pela área econômica para evitar o furo do teto. É que os gatilhos têm foco, sobretudo, nas despesas de pessoal. Sem cortes de despesas e com a pressão generalizada para aumento de gastos, o teto terá vida curta. 

A articulação política da Secretaria de Governo mostrou também pouco esforço para manter o veto do presidente. Não há surpresa nesse corpo mole. Na votação do projeto, a liderança do governo, por determinação do presidente, tirou uma séria de categorias do congelamento.

Foi o ministro da Economia, Paulo Guedes, que depois conseguiu convencer o presidente a vetar o texto, mesmo depois de várias categorias terem conseguido reajustes e bonificações antes da sanção do presidente.

Quem lembra a novela dos vetos? Bolsonaro usou o prazo máximo para sanção da lei, dando uma ajudinha extra para muitos servidores Brasil a fora. Foram dias de tensão no mercado porque sem o veto do presidente Guedes ficaria desprestigiado. Afinal, a bandeira do congelamento foi dele. 

Agora, fica na mão da Câmara, especialmente do presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), manter o veto e evitar mais uma derrota que pode custar R$ 130 bilhões aos cofres da União, Estados e municípios. 

A percepção que fica é que no Congresso não há clima para corte de despesas e muito menos reforma administrativa para reformular o RH do Estado.

* É JORNALISTA

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