Desaceleração afeta mais as regiões industriais do País

Levantamento com as 13 maiores regiões metropolitanas do Brasil mostra que São Paulo sofre mais do que Brasília

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h52

As regiões metropolitanas brasileiras mais industrializadas estão sofrendo mais intensamente os efeitos da desaceleração da economia em 2011 e neste ano. É o que mostra um levantamento realizado pela Brookings Institution, uma entidade sem fins lucrativos com sede em Washington cuja missão é a realização de pesquisas independentes.

O trabalho será apresentado hoje durante um evento em São Paulo. O Global Cities Initiative é fruto de uma parceria entre a própria Brookings Institution e o banco JP Morgan Chase, um dos maiores do mundo. O objetivo é fomentar a troca de informações entre as 300 principais regiões metropolitanas do planeta, distribuídas em 55 países.

"As cidades podem se ajudar, discutindo os desafios e trocando experiências de soluções bem sucedidas", afirmou o chefe da área de setor público do JP Morgan no Brasil, Aod Cunha, que também foi secretário de Fazenda do Rio Grande do Sul.

O levantamento apresenta uma série de dados sobre as regiões metropolitanas. No caso brasileiro, foram selecionadas 13: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Campinas, Salvador, Recife, Grande Vitória, Fortaleza, Manaus e Baixada Santista.

Embora São Paulo lidere em termos de tamanho de economia e de população (é a 13.ª maior região do mundo), ocupa a penúltima colocação quando o critério é o chamado Índice de Desempenho Econômico - que combina crescimento do emprego e variação do Produto Interno Bruto (PIB) per capita das regiões analisadas.

Ainda de acordo com esse critério, a região brasileira mais bem posicionada é Brasília, no 66.º lugar.

"Creio que é justo especular que São Paulo tem sofrido mais do que Brasília porque indústrias manufatureiras e de logística têm sido mais atingidas pela desaceleração da economia do que uma região como a capital federal, que tem foco em serviços públicos", disse Alan Berube, vice-diretor da Brookings e um dos responsáveis pelo estudo.

Ele acrescenta que alguns dos dados utilizados de 2012 para o levantamento têm como base projeções elaboradas pela Oxford Economics para alguns dos principais indicadores do País.

Liderança e lanterna. Em 2011 e 2012, a economia brasileira apresenta um desempenho abaixo do esperado pelo governo e por analistas independentes. No ano passado, o PIB cresceu 2,7% . Neste ano, segundo projeções de mercado, a expansão não deve passar de 1,8%.

Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulga o PIB do terceiro trimestre, que deve consolidar a percepção de que o avanço será inferior a 2%.

O desempenho fraco resulta, principalmente, do comportamento da indústria, que sofre com a competição dos produtos importados e não consegue ganhar mercados no exterior.

As 13 regiões metropolitanas avaliadas pela Brookings têm, juntas, 35% da população brasileira e 56% do PIB. A especialização das 13 varia. São Paulo, por exemplo, é destacada pelos serviços financeiros, enquanto o Rio de Janeiro pela mineração.

Manaus e Campinas têm como carro-chefe a indústria de transformação, ao passo que Porto Alegre e Curitiba se destacam por transportes, armazenagem e serviços postais.

Depois de Brasília, o ranking de desempenho econômico das principais regiões metropolitanas do Brasil tem Salvador, Recife e Rio de Janeiro. Abaixo de São Paulo ficou apenas Campinas, cuja economia é calcada na indústria.

O Global Cities Initiative começou na quarta-feira e termina hoje. Um dos destaques do evento é o ex-prefeito de Chicago, Richard M. Daley. Ele também é o coordenador dos trabalhos.

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