Desaceleração afetou vagas e salários nas empresas, diz pesquisa

Estatísticas deEmpreendedorismoindicam que companhias de alto crescimentofrearam contratações

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2014 | 02h03

A desaceleração na atividade econômica do País afetou a geração de vagas nas empresas de alto crescimento. As companhias empreendedoras mantiveram sua participação entre as empresas ativas no País, mas desaceleraram o ritmo de contratações e reduziram os salários, segundo as Estatísticas de Empreendedorismo 2012 divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na pesquisa, as empresas de alto crescimento são aquelas que aumentaram em pelo menos 20% ao ano o número de empregados por um período de três anos consecutivos e tinham pelo menos 10 pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial de observação. Em 2012, o País tinha 35.206 empresas consideradas de alto crescimento, acima das 34.528 registradas em 2011. No entanto, essas empresas ainda equivaliam a 0,8% do total de companhias ativas na economia, mesmo montante registrado no ano anterior.

No triênio de 2010 a 2012, as empresas empreendedoras apresentaram um crescimento médio de pessoal ocupado de 167,8%, o equivalente à geração de 3,3 milhões novos postos de trabalho. No entanto, nos triênios anteriores, a taxa de crescimento de empregados era de aproximadamente 175,5%, uma queda de 7,6 ponto porcentual.

"Num ambiente em que o PIB está crescendo menos, os pequenos empreendedores não são afetados diretamente nos negócios no dia a dia, mas ocorre uma maior restrição ao crédito, aos investidores", contou Pamella Gonçalves, gerente de Pesquisa e Mobilização da Endeavor Brasil, organização de incentivo ao empreendedorismo que conduziu a pesquisa em parceria com o IBGE. "Nosso desafio é descobrir como criar condições para que essas empresas continuem contratando mesmo em períodos de baixo crescimento."

Houve ainda uma redução no salário médio mensal, de 2,7 salários mínimos em 2010 e 2011 para 2,5 salários mínimos em 2012. "Isso acontece muito por causa das empresas pequenas, onde você vende muito mais o sonho do que o trabalho. O salário é usado como poder de barganha mais nas contratações das grandes empresas", justificou Cristiano Santos, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE. "Apesar dessas empresas empreendedoras estarem crescendo, elas conseguiram contratar por salários menores. E teve um aumento também do salário mínimo no período, que influencia o resultado."

Entre as empresas de alto crescimento, destacam-se por pagar salários médios mensais acima da média os setores eletricidade e gás (8,2 salários mínimos); indústrias extrativas (7,4 salários mínimos); e atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (5,9 salários mínimos).

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