Desaceleração da economia obriga Brasil a reduzir gastos militares

Ainda assim, País subiu um lugar no ranking mundial e hoje tem o 11º maior orçamento

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 08h56

GENEBRA - A crise na economia brasileira obrigou o governo a reduzir seus gastos militares. Dados divulgados hoje pelo Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (SIPRI, sigla em inglês) apontam que o País registrou em 2014 uma contração de 1,7% em gastos militares em comparação a 2013. 

Ainda assim, por conta de uma queda ainda maior dos gastos europeus, o Brasil subiu um posto no ranking dos maiores orçamentos militares, atingindo a 11ª colocação. De acordo com o estudo, enquanto o Ocidente registrou uma contração em seus gastos militares, a China e a Ásia compensaram com um aumento. 

"Os gastos militares brasileiros caíram em 1,7%, diante de uma economia que desacelerou e um governo que enfrentou importantes protestos sociais por conta da falta de serviços básicos antes da Copa do Mundo", segundo o SIPRI.

 

Ainda assim, os gastos nacionais com militares aumentou em 41% em comparação ao que era há dez anos. Ao final de 2014, o volume gasto foi de US$ 31 bilhões. Em 2014, o Brasil fechou um acordo de US$ 5,8 bilhões para a compra de 36 caças da Suécia.

Segundo o estudo, o Brasil tem mantido uma expansão "relativamente consistente" de seus gastos militares desde meados dos anos 90. "Essa tendência de aumento representa o programa de modernização militar do Brasil", indicou o SIPRI. 

Pelo ranking dos maiores gastos militares, o Brasil saiu da 12ª posição em 2013 para a 11ª, superando a Itália. Mas, em termos percentuais, o Brasil passou de um gasto de 1,5% do PIB em 2005 para 1,4% em 2014.

Novo Mundo. Segundo o levantamento, os gastos militares no mundo chegaram a US$ 1,7 trilhão, uma contração de 0,4% em comparação a 2013 e somando o terceiro ano seguido de cortes. 

Nos EUA, a redução do orçamento militar foi de 6,5%. Em comparação a 2010, os gastos são 20% inferiores. Ainda assim, os americanos lideram o ranking e contam com um orçamento 45% superior ao que existia em 2001, antes dos ataques de 11 de setembro, com US$ 610 bilhões.

Na Europa, nem mesmo a guerra na Ucrânia tem feito os países da UE a elevar seus orçamentos militares. França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha reduziram seus gastos. 

Já Kiev foi obrigada a elevar seus gastos militares em 20% e a Rússia seguiu a mesma tendência. Mas, por conta da queda nos preços do barril de petróleo, a elevação dos gastos militares russos foi obrigado a sofrer uma revisão de 5%.

Uma história bem diferente é registrada na Ásia, onde os gastos aumentaram em 5% e chegaram a US$ 439 bilhões. A China hoje tem o segundo maior orçamento do mundo, com US$ 216 bilhões e um crescimento de 9,7% apenas em 2014. Índia também aumentou seus gastos e subiu duas posições no ranking, superando Alemanha e Japão. Vietnã, Coréia do Sul e Austrália também elevaram seus gastos. 

Na América Latina, a crise na Venezuela também levou a uma queda dos gastos militares, de 34%. Já o México registrou um aumento de 11%, levado pela guerra contra as drogas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.