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Desaceleração de alimentos puxa alívio do IPC-S, diz FGV

A nova desaceleração dos preços de Alimentação assegurou, mais uma vez, a queda da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que passou de 0,86% para 0,78% entre a segunda e a terceira quadrissemanas de abril. "Temos alimentação, que continua desacelerando e, do lado das altas, praticamente só Saúde e Vestuário", resumiu o coordenador do IPC-S e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti.

DENISE ABARCA, Agencia Estado

24 de abril de 2014 | 12h53

Na terceira leitura do mês, o grupo Alimentação reduziu a alta a 1,63%, ante 1,79% na segunda medição, enquanto o grupo Saúde e Cuidados Pessoais acelerou de 0,75% para 1,02% e Vestuário, de 0,78% para 1,03%. "Saúde já estava na conta em razão dos medicamentos", disse o coordenador. O comportamento reflete o reajuste, autorizado pela Câmara de Regulação de Medicamentos (CMED), de até 5,68% para os preços de remédios a partir de 31 de março. Em Vestuário, Picchetti acredita que o movimento pode estar relacionado à antecipação da demanda por roupas de inverno.

De acordo com o coordenador, Hortaliças e Legumes (7,94%, ante 12,81%) responderam pela maior parte (-0,06 ponto porcentual) da desaceleração de 0,08 ponto porcentual entre o IPC-S da segunda e da terceira apurações do mês, com destaque para o tomate (-0,04 ponto). Ainda em Alimentação, pelo lado das altas, Picchetti destacou Carnes Bovinas (2,41%) e Laticínios (3,14%). "Um item que está ajudando é o pão francês, e vai continuar ajudando pois está com desaceleração na ponta (pesquisa semanal)", disse. O preço do pão francês, em média, desacelerou a alta de 2,49% para 1,73%, refletindo, segundo o coordenador, o efeito do câmbio mais apreciado. "A tendência para Alimentação é de desaceleração ou variações negativas", comentou Picchetti.

Para Picchetti, o quadro da inflação na terceira quadrissemana de abril sugere que o IPC-S deve mesmo fechar o mês na previsão de 0,60%, mas alerta que este não é um nível confortável para a inflação. "Em termos absolutos, ainda é um nível elevado. Apesar do discurso do governo, o cenário ainda é de aumento generalizado de preços, que está contaminando as expectativas", comentou. Para 2014, a expectativa do coordenador é de alta de 6,3% para o IPC-S.

Passagens aéreas

Além da desaceleração da alta dos preços de Alimentação, outra boa notícia dentro do IPC-S foi a expressiva aceleração da deflação dos preços das passagens aéreas, de -2,95% para -22,56% da segunda para a terceira quadrissemana de abril. "É o fim do efeito feriado", explicou Picchetti, para justificar o comportamento deste item.

De acordo com ele, as passagens aéreas estão devolvendo as altas provocadas pelo aumento da demanda em razão do feriado da Páscoa e os preços continuam em baixa nas pesquisas de ponta semanais da FGV. "Na ponta, a queda já está superior a 30%", informou.

As tarifas aéreas foram determinantes para a queda de 4,14% do subgrupo Passeios e Férias e também para a inversão da alta do grupo Educação, Leitura e Recreação (0,32% para -0,49%).

Indicador de difusão

O indicador de difusão do IPC-S da terceira quadrissemana de abril atingiu 74,41%. O resultado é superior ao da quadrissemana anterior (72,06%) e o maior desde a terceira quadrissemana de janeiro de 2013, quando ficou em 75,29%. Já o IPC-S desacelerou de 0,86% para 0,78% entre a segunda e a terceira quadrissemanas do mês.

Na divisão dos grupos feita por Picchetti, os preços de serviços tiveram expressiva desaceleração, de 1,09% para 0,71%, determinada pela queda de 22,56% nos preços das passagens aéreas. Por outro lado, os preços administrados avançaram de 0,80% para 0,99%, pressionados pelos aumentos nas tarifas de energia e de medicamentos. Por fim, os preços dos produtos industrializados passaram de 0,43% para 0,49% e o dos comercializáveis, de 0,34% para 0,35%.

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