Desaceleração deve ser revertida no segundo semestre, diz BC

O Banco Central espera que o quadro de desaceleração da atividade econômica brasileira seja revertido a partir deste segundo semestre de 2003. Essa virada, de acordo com o BC, ocorrerá à medida que se consolidem os efeitos sobre a atividade da melhora significativa dos "fundamentos macroeconômicos" observada nos últimos meses. A ata da última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), divulgada hoje. destaca, porém, que o BC permanece atento à evolução do nível de atividade. "A desaceleração na atividade econômica manteve seu curso, com redução nas vendas no varejo, aumento dos estoques e estabilidade da produção industrial", afirma a ata, divulgada hoje pelo BC. No documento, o BC lembra que a taxa de desocupação medida pelo IBGE aumentou em maio, atingindo 12,8%, mas observa que, por basear-se em nova metodologia, ela não é comparável aos valores observados no mesmo mês de anos anteriores. Os diretores do BC também alertam na ata que existe uma defasagem para a resposta da atividade econômica: "Deve-se destacar que boa parte dos indicadores de atividade disponíveis na data da reunião do Copom reflete ainda a resposta defasada da atividade econômica aos efeitos do ambiente macroeconômico adverso prevalecente entre os últimos meses de 2002 e os primeiros de 2003", afirma a ata. Convergência rumo às metasO Banco Central acredita que a convergência da trajetória de inflação para as metas está se dando a uma velocidade maior do que vinha sendo observado até abril. A avaliação consta na ata da última reunião do Copom, divulgada hoje. No documento, os diretores do BC, que integram o Copom, afirmam que as quedas acentuadas da inflação medida pela IPCA de junho e pelo IPCA-15 de julho são evidências adicionais da eficácia da política monetária em reduzir a persistência da inflação. Segundo o BC, a política monetária impediu que a inflação se acomodasse em patamares mais elevados. "A inflação manteve a tendência declinante observada ao longo dos últimos meses. Esse resultado positivo deve ser atribuído fundamentalmente à atuação da política monetária, que impediu a propagação dos choques ocorridos no final de 2002, e à consistência da política fiscal", diz a ata. Para os diretores do BC, esses fatores, em conjunto com um ambiente internacional mais favorável, levaram à apreciação da taxa de câmbio no período e à convergência das expectativas de inflação para a trajetória das metas. Câmbio e IPCAO Banco Central prevê que ainda há espaço para que a apreciação cambial ocorrida no início deste ano afete o IPCA, mesmo que a taxa de câmbio se estabilize em torno do patamar atual. De acordo com o BC, a valorização do real frente ao dólar, ocorrida desde o início de 2003, ainda não se refletiu na intensidade esperada sobre os preços dos bens comercializáveis. "À medida que o comportamento dos preços no atacado afete parcialmente e com alguma defasagem os preços ao consumidor, ainda há espaço para que a apreciação cambial ocorrida no início de 2003 afete o IPCA", afirma a ata da última reunião do Copom. O BC destaca no documento que, mesmo que os preços dos bens comercializáveis não venham a incorporar toda a apreciação cambial ocorrida, é razoável esperar que eles se acomodem sem pressões para novos reajustes. O comportamento do câmbio tem contribuído para a queda da inflação, avaliam também os diretores do BC. No documento, os diretores do BC ressaltam que, entre junho e julho, a taxa de câmbio permaneceu praticamente estável, com a cotação do dólar flutuando entre R$ 2,80 e R$ 2,90. O Copom também chama atenção para o fato de que, em junho, o IPA, que depende mais fortemente da taxa de câmbio, apresentou deflação. "Foi o segundo mês consecutivo de deflação, no caso do IPA-produtos industriais,e o terceiro mês consecutivo, no caso do IPA-produtos agrícolas. Gasolina: alta de 0,1% em 2003O Copom reduziu drasticamente sua projeção para o reajuste dos preços da gasolina em 2003. De acordo com a ata da última reunião do Comitê, divulgada esta manhã, a expectativa dos diretores do BC é que o preço da gasolina no País irá acumular alta de apenas 0,1% em 2003. Até junho, a expectativa do Copom era de um reajuste de 5,3% este ano para o produto. No caso do gás de cozinha, a nova estimativa do Comitê é praticamente igual à registrada em junho. Ao longo de 2003, o GLP deverá acumular reajuste de 2,3% e não mais de 2,4%, como era estimado até o mês passado. "As projeções para o ano já incluem os reajustes ocorridos até o momento", explicam os diretores. Além dessas alterações, o Copom também fez uma nova estimativa para os reajuste das tarifas de energia elétrica e telefonia fixa. A expectativa é de que o consumidor pague um aumento de 21% e não mais de 23% para a energia elétrica utilizada este ano. Mas se a projeção da energia sofreu uma queda, na telefonia fixa o Copom elevou de 19% para 25,5% sua estimativa de reajuste de preços ao longo deste ano. Apesar desse aumento significativo, para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, o Copom projeta inflação de 13,1% em 2003. Esse índice é um ponto porcentual menor do que o projetado em junho. "Essa queda observada nas projeções ainda é consequência da apreciação cambial observada nos últimos meses. Gasolina, álcool e tarifas de energia elétrica residencial foram os maiores responsáveis pela diminuição das projeções para 2003", destacam os diretores do BC. Para 2004, a estimativa do Copom para a inflação desse conjunto de preços subiu de 8,9% para 9,6%. Tendência da inflação é declinanteA evolução do custo de vida medida pelos diferentes núcleos de inflação caiu entre maio e junho, conforme destacam os diretores do Banco Central no texto da ata da reunião de julho do Copom. "Comportamento similar pode ser visto em outros índices de preços, como o IPC-Fipe, cuja inflação caiu pelo quinto mês consecutivo e, assim como o IPCA, registrou deflação em junho", ressaltam os diretores do BC. Na ata, a diretoria do BC chama atenção para a manutenção da tendência declinante da inflação. "As quedas acentuadas da inflação medida pelo IPCA de junho e pelo IPCA-15 de julho são evidências adicionais da eficácia da política monetária em reduzir a persistência da inflação, impedindo que ela se acomodasse em patamares mais elevados", argumentam os diretores. De acordo com a análise do Comitê, a deflação de 0,15% do IPCA em junho foi resultado da queda de 1,02% dos preços administrados e do aumento de 0,20% dos preços livres. "Esses números foram beneficiados por diversos fatores conjunturais e sazonais, como as reduções dos preços da gasolina, do álcool e dos alimentos", argumentam os diretores na ata. "Ainda que tais fatores sejam levados em consideração, a dinâmica dos preços livres mostra desaceleração inequívoca da inflação: excluindo os alimentos, a inflação dos preços livres em maio e junho situa-se entre 0,45% e 0,50%, ante 0,81% em abril", exemplificam.

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