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Desaceleração do crédito em marcha

O crédito entrou em processo de desaceleração nos últimos meses. Em qualquer análise, o máximo que se encontra é alguma estabilidade no crescimento real em relação ao ano passado. Exemplo desse decréscimo pode ser visto no crédito pessoal. Depois de taxas reais de expansão de mais de 8% no quadrimestre encerrado em novembro do ano passado, ele cresce agora pouco abaixo de 5%. A questão é se 5% é muito ou pouco para o padrão brasileiro.

Sérgio Vale, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

Vale aqui uma comparação com 2008. Naquele ano, o crédito pessoal nessa mesma métrica chegou a crescer parcos 2% pouco antes da quebra do Lehman Brothers, ao mesmo tempo que o PIB atingia o recorde de crescimento, dando a impressão de que a desaceleração para 2% talvez não fosse suficiente para conter a economia. Ficamos com a impressão de que, apesar do decréscimo recente, ainda estamos longe de atingir um patamar de crescimento condizente com o controle desejado do nível de atividade.

O lado ruim é que a inadimplência tem crescido mais do que se imaginava no começo do ano. É verdade que a taxa de 6,1% ainda é baixa, mas é forte seu crescimento no crédito para compra de bens (menos veículos), que subiu 2 pontos porcentuais desde janeiro, para 11,8%. Crédito em desaceleração com inadimplência em alta são sinais de desaceleração da economia.

Quando consideramos o total do crédito, a história é mais positiva ainda para a mudança de padrão em relação a 2008. A mesma métrica quadrimestral mostra que o saldo total de crédito crescia entre 6% e 9% até 2008. Desde a crise, se estabilizou entre 3% e 5%, e a taxa de 3,5% de abril se assemelha aos dados do início de 2009, auge da crise. Parte dessa queda é percebida no crédito à pessoa jurídica, especialmente o do BNDES. Já o crédito habitacional se acelera desde 2009 - sua expansão quadrimestral é de 6%.

O ideal seria que o crédito como um todo sinalizasse uma freada. Mas, no mundo de vencedores e perdedores da política econômica do governo, sua opção por manter aquecida a construção e pisar no freio do consumo e do BNDES parece estar funcionando.

É ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS

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