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Desaceleração global deverá afetar o Brasil, diz S&P

Para Lisa Schineller, efeitos serão sentidos na conta corrente e nas IPOs

Nalu Fernandes, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2007 | 00h00

O Brasil está em melhor posição para enfrentar o tremor atual nos mercados financeiros, mas não está imune a ele e à conseqüente desaceleração das economias global e dos Estados Unidos. Os efeitos devem ser sentidos, por exemplo, pela conta corrente e pela redução de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês). Por isso, diante de um ambiente global menos favorável, o governo precisa evitar complacência no gerenciamento das políticas fiscal e monetária. As ponderações são da diretora de rating soberano da agência de classificação de risco Standard and Poor''''s (S&P), Lisa Schineller."Em 2008, o País deverá ter US$ 2,5 bilhões em déficit de conta corrente, ante um superávit projetado em torno de US$ 9 bilhões neste ano", estimou a analista após apresentação para investidores em Nova York. A razão, diz Schineller, é que o País continuará com importações elevadas, enquanto deve experimentar redução das exportações por causa da desaceleração global.O rating do Brasil continua positivo, o que significa que um upgrade para o nível de grau de investimento é possível num período que vai de seis meses a um ano. "No entanto, em face da desaceleração do crescimento global é natural que haja menor liquidez. Assim, é importante ver o governo vai fazer diante de um fluxo menor (de capital externo)", destaca. "Por exemplo, não esperamos que o Brasil veja 50 IPOs no próximo ano."Pela esperada redução nos fluxos para o País, provocada pelo ambiente externo, a analista destaca a importância do gerenciamento prudente da política fiscal - reduzindo rigidez orçamentária e também a carga tributária - e da política monetária no próximo ano."É a combinação de políticas prudentes e de inflação baixa que fornece os fundamentos que o Brasil tem", avaliou. "A complacência tem de ser evitada." A S&P estima em 40% a probabilidade de recessão da economia americana em 2008.FITCHO diretor da Fitch Ratings no Brasil, Rafael Guedes, disse ontem que a piora no ambiente externo pode retardar a obtenção do grau de investimento pelo País. Segundo ele, o Brasil se beneficiou bastante nos últimos anos de um cenário internacional favorável, aliado ao bom gerenciamento interno. Guedes avalia que o grau de investimento não depende somente da situação internacional, e o País precisa "fazer a lição de casa".COLABOROU DANIELA MILANESE

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