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Desaceleração na China é a 'grande mudança' para o Brasil, diz economista

Segundo professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP, Simão Silber, desaceleração na economia do país asiático já está refletindo nas relações de troca do Brasil, com a queda no preço dos produtos brasileiros no exterior

Igor Gadelha , O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2015 | 16h10

SÃO PAULO - Apesar de estar crescendo menos do que no período anterior à crise financeira de 2008, a economia mundial apresenta, no geral, um cenário "benigno", avaliou nesta sexta-feira (2) o professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP Simão Silber, durante palestra promovida Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP). Ele ponderou, contudo, que há um "complicômetro", que ficou mais evidente a partir de 2015: o crescimento está sendo desigual, com países desenvolvidos crescendo menos do que antes. Nesse contexto, ele prevê que a desaceleração na China é a "principal mudança" para o Brasil.

De acordo com o professor da USP, a desaceleração na economia chinesa já está refletindo nas relações de troca do Brasil. Ele citou dados para mostrar que, entre fevereiro de 2003 e setembro de 2011 (ponto mais alto das relações de troca), os preços dos produtos brasileiros no exterior tiveram aumento de 47%. Desde então, esses preços acumulam queda de 22% até julho deste ano. "Infelizmente não usamos esse boom de commodities para investimentos. Pelo contrário, fizemos uma festa de arromba", criticou. Silber prevê que a economia do país asiático, que cresceu 7,4% em 2014 ante 2013, deverá crescer entre 5% e 6% neste ano em relação a 2014. 

No caso dos Estados Unidos, o professor da FEA prevê que a economia americana vai avançar, em média, 2,7% entre 2015 e 2017. A projeção já leva em conta a estimativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, deverá dar início ao aperto monetário entre o final deste ano e meados de 2016, após manter os juros próximos a zero desde 2006. "Pelos comentários dos dirigentes do Fed que temos ouvido, essa é a nossa sensação", justificou Simão Silber a economistas, durante sua apresentação, intitulada "Perspectivas da economia mundial sete anos após a crise". 

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