Desaceleração na criação de empregos assusta centrais sindicais

Dado que mostra a menor geração de empregos para julho em dez anos vem no momento em que começam as campanhas salariais das principais categorias

Tânia Monteiro, Agencia Estado

21 de agosto de 2013 | 16h29

BRASÍLIA - Presidentes das centrais sindicais ficaram assustados e preocupados com os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com geração de apenas 41.463 empregos formais em julho. O resultado é o menor para o mês desde 2003, quando a série sem ajuste registrou a criação de 37.233 vagas.

"Esta notícia é muito ruim, principalmente porque vem no momento em que começam as campanhas salariais das grandes categorias como metalúrgicos, químicos e petroleiros", declarou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário-geral da Força Sindical, ao chegar ao Palácio do Planalto para se reunir com o ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho. O tema principal do encontro é o fator previdenciário.

"Isso preocupa porque redução de emprego não combina com pedido de aumento", emendou Juruna, que lamentou que a redução do emprego venha no momento em que o governo acaba de promover mudanças na correção do seguro-desemprego. "Justo quando os trabalhadores mais precisam vem esta mudança que achata o valor do seguro-desemprego", reclamou.

"Estamos indignados com essa mudança", desabafou o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah. Ele salientou ainda que o índice de reajuste do benefício não poderia, "em hipótese alguma", ser reduzido e "não houve correção adequada dos valores do seguro-desemprego, ficando abaixo da inflação".

Ao falar da queda do índice de empregos em julho na comparação com junho, Patah disse que é "muito ruim e nos preocupa muito principalmente porque há uma conjunção de fatores negativos que podem agravar a situação". Patah lembrou que o cenário é de alta da taxa cambial, elevação da taxa Selic, redução do crescimento econômico e a consequência sempre chega no trabalhador.

Para o presidente da UGT, "as perspectivas já não eram as melhores por causa desta conjunção de fatores e estes números causam preocupação". Patah ressalvou que os dados talvez não se sustentem neste patamar tão ruim. "Tradicionalmente, a partir do mês que vem, pode chover canivete, que mesmo com continuidade de perspectiva negativa, o comércio reage contratando por causa do fim de ano." Com isso, prosseguiu, é possível que se consiga manter os níveis classificados de pleno emprego.

Para o ano que vem, no entanto, Patah observou que tudo vai depender da política implementada, de valorização da produção. Ele acrescentou que o fato de ter Copa do Mundo e eleições em 2014 acaba favorecendo a geração de emprego e perspectivas positivas.

"O número preocupa, mas chegou em um momento que pode ser recuperado neste último trimestre, quando comércio e serviços sempre apresentam dados positivos pois a contratação, a partir de setembro, sempre acontece", frisou Patah, acrescentando que 2014 ainda é uma "incógnita". O presidente da UGT citou ainda que não se pode deixar de lado "a voz das ruas" que "foi inesperada", agora tem um peso ainda maior e pode ser um fator importante nesta equação complexa da economia e na decisão sobre políticas de geração de empregos.

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