Desaceleração necessária do mercado de crédito

Em novembro, acentuou-se o descompasso entre a evolução do estoque de crédito - que reflete o total devido por empresas e famílias aos bancos, incluindo os juros acumulados - e das concessões de crédito, que diminuíram no mês passado. Enquanto os saldos aumentaram 1,3% no mês e 11,8% nos últimos 12 meses até novembro, atingindo R$ 2,963 trilhões, as concessões caíram 7% no mês e subiram apenas 6,2% em 12 meses, perfazendo R$ 307 bilhões, segundo a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central.

O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2014 | 02h01

Pelo critério de estoques (ou saldos), que é o mais utilizado, as pessoas jurídicas aumentaram seu endividamento em 1,6% no mês e em 10,8% em 12 meses.

As empresas tomaram recursos para financiar as vendas do fim do ano, inclusive usando linhas mais onerosas, como as antecipações de faturas do cartão de crédito (+7%, no mês) e cheque especial (+4,9%), enquanto o tradicional desconto de duplicatas cresceu 2,3% e o capital de giro com prazo superior a 365 dias elevou-se apenas 0,5%. As operações com cartão de crédito rotativo e parcelado com juros avançaram 5,2% no mês e 9,5% em 12 meses.

Há, assim, sinais de que muitas empresas estão em apuros em decorrência da estagnação da economia. E, quando não têm acesso ao crédito direcionado (BNDES, crédito rural e financiamentos imobiliários), com custos menores, chegam a pagar taxas elevadas (no cartão de crédito, o juro das operações parceladas é, em média, de 180% ao ano).

Quanto às pessoas físicas, as concessões de crédito diminuíram 7,9% no mês, depois de um período de forte crescimento (outubro), quando o governo aumentou os prazos dos empréstimos consignados em folha, concedidos, em especial, aos aposentados do INSS. No trimestre setembro-novembro, os saldos do consignado a beneficiários do INSS cresceram 3,8%, bem mais que os dos servidores públicos (+2,4%).

Mas a tendência dos últimos meses não mudou: há desaceleração do crédito, que cresce mais em razão dos juros embutidos nos empréstimos do que de novas operações. O Banco Central estima que o crescimento dos saldos deverá ser da ordem de 12%, tanto neste ano como em 2015. E a inadimplência se mantém em níveis administráveis - fato positivo que se deve em parte às renegociações frequentes de dívidas.

Está claro que o crédito já não é a grande mola do consumo nem do crescimento do PIB. Com juros em alta, não há alternativa à prudência.

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