Desaceleração nos EUA abala consenso sobre queda da Selic

Um dia depois do Fed confirmar as previsões e baixar o juro em meio ponto porcentual, o mercado amanheceu mais dividido quanto ao comportamento do Copom em relação a taxa Selic, na reunião do dia 14. Uma corrente do mercado continua apostando firmemente na redução da Selic em 0,50 ponto, mas de ontem para hoje cresceu a ala mais cautelosa, que espera um corte menor, de 0,25 ponto, ou mesmo a estabilidade. O consenso mais otimista deixou de prevalecer com a percepção de que o Fed está se movendo numa velocidade mais agressiva porque a desaceleração da economia americana é maior do que a imaginada. A médio prazo, o enfraquecimento da atividade econômica nos EUA é prejudicial ao fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil, além de afetar as exportações brasileiras. Os economistas Octávio de Barros, do BBVA, e Marcelo Alain, do Inter American Express - estão entre os analistas que consideram que o Copom deveria ser cauteloso. Já o estratégista do JP Morgan, Luis Fernando Lopes, e o economista-chefe do W.I. Carr Indossuez Securities, Alex Schwartsman, acham que o Copom tem espaço para reduzir juro na reunião deste mês, entre 0,25 ponto a 0,50 ponto. Nas mesas de tesouraria também já se nota uma mudança de humor, com alguns profissionais falando em manutenção da taxa Selic este mês, embora os negócios fechados na BM&F ainda espelhem um provável corte entre 0,25 e 0,50 ponto. Aproveitar oportunidades - Embora o mercado esteja mais cauteloso hoje, para alguns economistas dos bancos não faz muito sentido o BC colocar o pé no freio agora. É o caso de Luis Fernando Lopes, do JP Morgan, para quem o BC deve "andar mais rápido e aproveitar essa janela de oportunidade que se abriu com a queda do juro nos EUA". Otimista, ele prevê um corte de 0,50 ponto este mês de outro de 0,50 na reunião do dia 21 de março. Seguindo essa mesma linha de raciocínio, Alex Schwartsman, do Indossuez, observa que, por enquanto, a economia brasileira está sob ceú de brigadeiro. O economista-chefe do BBVA, Octávio de Barros, adverte, porém, que os sinais exibidos pela economia americana são os "piores possíveis". Por isso, o momento exige cuidado. O melhor, segundo ele, é esperar até o dia 21 de março, um dia após a próxima reunião do Fed, quando a autoridade monetária terá dados mais consistentes sobre o tamanho da desaceleração da economia dos EUA e seus desdobramentos para os países emergentes. Para Marcelo Allain, do InterAmerican Express, o Copom deveria analisar a reação da ecomomia brasileira ao corte de 1,25 ponto porcentual, de dezembro para cá. Além disso, na opinião de Allain, o BC deveria levar em conta os números da balança comercial, que apresentou déficit de US$ 479 mi em janeiro. Esse péssimo desempenho da balança comercial, no entendimento de alguns especialistas, não deve ser motivo suficiente para o BC interromper a trajetória de queda da Selic este mês. Argumentam que o remédio para balança comercial é câmbio e incentivos às exportações, portanto, uma redução mais lenta do juro não resolveria o problema.

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