Desaceleração nos EUA já afeta vendas da Embraer no país

Comercialização de jatos executivos entre os emergentes, porém, compensa queda no mercado americano

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

19 de maio de 2008 | 17h05

A Embraer admite que a desaceleração da economia americana já está afetando suas vendas para o mercado dos Estados Unidos, pelo menos no setor de jatos executivos. Em compensação, está conseguindo bons resultados nos mercados emergentes, entre eles Rússia e Oriente Médio. Veja também: Entenda a crise nos Estados Unidos   Cronologia da crise financeira   "O que estamos vendo é uma leve queda nos Estados Unidos em termos de compras, ainda que nenhuma encomenda já feita no passado tenha sido cancelada", afirmou Luis Carlos Affonso, vice-presidente da Embraer e responsável pelo setor de jatos executivos.  Nesta segunda-feira, 19, durante a feira de jatos executivos que ocorre todos os anos em Genebra, a Embraer iniciou a venda de dois de seus novos modelos, com valor de US$ 18,4 milhões e US$ 15,2 milhões. As primeiras entregas desses modelos estão previstas para 2012, exigindo investimentos de cerca de US$ 750 milhões. A empresa não disfarça que parte de sua atenção está mesmo voltada aos mercados emergentes. Só no Oriente Médio, a Embraer fez uma revisão de seus planos e poderá abrir não apenas uma central de atendimento em Dubai, mas também outra em Abu Dhabi.  Os esforços da empresa é de se posicionar para abocanhar parte um mercado que promete movimentar a todos os construtores US$ 201 bilhões até 2015, com vendas de 13 mil jatos executivos em todo o mundo. Um terço dessas vendas ocorreria na Europa e Oriente Médio.  Para competir com as gigantes de todo o mundo, a Embraer tem seis modelos de jatos executivos e cerca de 120 já em operação. Só em 2009, o plano prevê a entrega de até 150 unidades.  Um dos modelos mais requisitados é o Phantom, com 750 ordens de mais de 44 países. O jato está sendo vendido com um preço que varia entre US$ 3 milhões e US$ 6 milhões cada. Hoje, os jatos executivos já representam 16% dos lucros da Embraer.  Meio Ambiente Nesta segunda, a Embraer ainda anunciou a criação de um programa em que permite que um comprador de um jato possa compensar a poluição gerada pelo avião. Pelo esquema criado pela Embraer, o novo proprietário pode pagar mensalmente um valor à empresa correspondente às toneladas de CO2 que emitiu naquele mês. O dinheiro será usado pela Embraer para projetos de reflorestamento e conservação no Brasil. A empresa, porém, admite que um tratamento completo das emissões de CO2 dos aviões somente será atingido quando bioquerozenes forem introduzidos no mercado. A esperança da Embraer é de 20% da mistura do combustível dos jatos venham de fontes renováveis até 2015.

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