Desaceleração sazonal de preços no atacado

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) registrou alta de 0,16% na segunda coleta do mês, menos do que o esperado pelas consultorias econômicas. A queda se deveu aos preços no atacado, que recuaram 0,22% em relação ao mesmo período do mês passado. Mas não se pode dizer que a tendência de alta dos últimos meses refluiu nem que o indicador seja auspicioso para as famílias, dada a composição do IGP-M.

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2015 | 02h03

Os preços no atacado, medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), têm peso de 60% no IGP-M - e foram, portanto, determinantes para o resultado. Já os preços ao consumidor medidos pelo IPC, que pesam 30% no IGP-M, aumentaram 1,02%, um patamar elevado. E o terceiro componente do IGP-M, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com peso de 10%, variou 0,61%, acima do 0,46% observado no mesmo período de janeiro.

Uma avaliação menos superficial do IPA mostra que esse indicador entrou no campo negativo por causa das quedas de preço da soja, do minério de ferro, do farelo de soja, de suínos e de querosene de aviação. O momento da colheita da safra ajuda a explicar o recuo, mas também as oscilações negativas dos preços do óleo bruto e derivados. Os preços das matérias-primas caíram 1,64%, em média, e o mesmo ocorreu com os dos bens intermediários (-0,33%). Mas os bens finais ainda mostraram a alta expressiva de 1,03%. As correções de preços de ovos, mandioca, feijão, álcool etílico e algodão antecipam pressões sobre os índices. O que ocorre num período com o IPA chegará ao IPC algum tempo à frente.

O IPC subiu com as tarifas de ônibus urbano, gasolina e automóvel novo, cujo mercado final está fraco. O grupo alimentação subiu menos que em janeiro, mas avançou 0,73%.

Nas projeções da pesquisa Focus de 13/2, feita pelo Banco Central, o IGP-M atingirá 0,40%, no mês, e 5,81%, no ano. É mais do que em 2014 (3,69%) e do que nos últimos 12 meses (3,75%). Avançará menos do que índices que registram melhor os preços finais, como o IPCA, cuja projeção de avanço é de 7,27%, neste ano, segundo a pesquisa Focus, ou acima de 7,5%, segundo outros analistas.

Mais inflação virá de novos ajustes de energia e desvalorização cambial. Por ora, a alta mais branda do IGP-M deve ser vista com cuidado, pois parece mais ser fruto da estagnação da indústria, de safras e das commodities em queda global.

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