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Desacreditada, a Amazon se reinventa e vira líder em tecnologia

Jeff Bezos conseguiu transformar a Amazon de livraria virtual em definidora de tendências em eletrônicos

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

Em 2002, o consultor Philip Kaplan lançou um livro chamado F?d Companies, em que contava histórias de como empresas de internet captaram bilhões de dólares, para depois quebrar, durante os anos loucos da bolha. Na época, Kaplan gostava de dizer nas entrevistas: "Eu sempre encorajo as pessoas a comprarem meu livro da Amazon, porque a cada livro que você compra da Amazon eles perdem cerca de US$ 1,50".Muita gente via o varejista virtual como uma empresa da bolha da internet, que estourou em 2000, como uma empresa que não iria sobreviver. Um administrador de fundos, William Fleckenstein, chegou a descrever o modelo de negócios da Amazon da seguinte forma: "Ela troca notas de US$ 1 por US$ 0,95 e quer recuperar a diferença no volume de vendas".A situação mudou muito desde então, graças à capacidade de Jeff Bezos, fundador da Amazon, de reinventar a empresa continuamente. O executivo - que apresentou o Kindle DX, leitor de livros virtuais com tela grande, no começo deste mês - é visto hoje como um dos principais líderes do mercado de tecnologia, à frente de um gigante com faturamento anual de US$ 19,2 bilhões e lucro líquido de US$ 645 milhões. "A Amazon evolui bastante", aponta Alejandro Padron, consultor de varejo da IBM. "Como livraria, nunca conseguiria chegar a esse faturamento. Hoje, ela usa mais a plataforma tecnológica e a marca, e atrai tráfego para muitos outros varejistas."Formado [KRANTZ, 1998]em engenharia elétrica e ciência da computação por Princeton[/KRANTZ, 1998], Bezos trabalhava como analista financeiro quando resolveu criar a Amazon em 1994, depois de ler um relatório que previa crescimento médio anual de 2.300% para a internet. O site entrou no ar em julho de 1995, vendendo somente livros, e anunciando-se como a maior livraria do planeta. Isso era possível porque, atuando pela rede mundial, podia colocar à venda títulos que não estavam no estoque.A estratégia inicial da Amazon foi agressiva. Aproveitando do dinheiro fácil que existia na época da bolha, a empresa buscou crescer sem se preocupar com o lucro. O plano de negócios de Bezos previa que a empresa ficaria no vermelho por quatro ou cinco anos. O primeiro lucro só chegou no quarto trimestre de 2001, um ano após o estouro da bolha, quando a empresa teve um resultado positivo de US$ 5 milhões e um faturamento de mais de US$ 1 bilhão. Desde então, nunca voltou ao vermelho.DIVERSIFICAÇÃOA primeira reinvenção da Amazon foi se transformar de livraria em grande varejista. A diversificação começou já em 1998, quando a empresa passou a vender CDs. Hoje, a oferta da empresa inclui uma vasta gama de produtos, que inclui eletrônicos de consumo, computadores, roupas, alimentos e móveis, entre outros. A Amazon também criou sites locais para atender a outros países, como Alemanha, Canadá, China, França, Inglaterra e Japão.A segunda grande mudança aconteceu em 2000, quando a Amazon passou a oferecer sua plataforma de varejo para terceiros. Várias lojas, como CDNow, Target, Timex, Marks & Spencer e Lacoste, funcionam com a tecnologia da Amazon. Isso fez com que a empresa conseguisse maximizar seus investimentos em tecnologia, transformando-se numa companhia de serviços e deixando de ser somente um varejista. Os próprios consumidores podem vender livros, CDs e DVDs usados pela Amazon. Desse jeito, a empresa consegue aproveitar ao máximo o tráfego que consegue atrair para o seu site.Aprofundando essa estratégia, foi lançada em julho de 2002 a Amazon Web Services, que oferece vários serviços para desenvolvedores de outros web sites. Naquela época, ainda não existia o conceito de "computação de nuvem", mas, de certa forma, é isso que a empresa oferece. A Amazon colocou a disposição de terceiros, como serviço, capacidade de servidores, armazenamento e banco de dados disponível em seus centros de dados.A reinvenção mais recente foi o lançamento do Kindle, leitor de livros digitais. Apesar de todo o barulho, o equipamento ainda precisa se provar no mercado. Sua primeira versão foi lançada em 2007 e, até agora, ele tem sido um dispositivo que conseguiu atrair aficionados por tecnologia.Bezos transformou a Amazon de livraria em grande varejista e grande varejista em empresa de serviços. Com o Kindle, a companhia acabou se tornando uma fabricante de eletrônicos de consumo, entrando no mercado de gigantes bem estabelecidas como a Apple e a Sony. A ideia de que o Kindle será o "iPod dos livros" ainda tem de se provar.Mesmo com todas as mudanças, a maior força da Amazon vem de suas operações de varejo. Com faturamento de US$ 19,2 bilhões, ela é quase três vezes maior que a vice-líder do comércio virtual, a Staples, que fatura US$ 7,7 bilhões. "Existe um grande potencial de crescimento", diz Padron, da IBM. "Somente 7% do varejo global está na internet e, apesar de ser o maior varejista virtual do mundo, a Amazon ainda atua em poucos países. Não está no Brasil, por exemplo."

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