Desafio da AL é permanecer resistente aos choques, diz FMI

Para diretor do Fundo, região tem resistido bem à turbulência financeira, mas incerteza permanece elevada

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

20 de outubro de 2007 | 15h07

O principal desafio à América Latina é garantir que a região permaneça resistente aos choques que ainda podem ocorrer no ambiente global, alerta o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Departamento do Hemisfério Ocidental, Anoop Singh. A região tem resistido bem à turbulência dos mercados financeiros, mas a incerteza permanece elevada no globo. Por isso, o desafio é garantir aprofundamento da melhora vista nos fundamentos econômicos na região, "restringindo o crescimento real dos gastos correntes, garantindo forte supervisão financeira, aumentando investimento e produtividade ao longo do médio prazo", emendou Singh. O FMI projeta crescimento de 5% para América Latina e Caribe em 2007 e desaceleração para 4,5% em 2008, diz o diretor. Na América Latina, destaca, grande parte dos mercados acionários e das moedas na região já registraram recuperação para níveis anteriores ao pico da turbulência. De acordo com ele, o Relatório Regional da América Latina e Caribe será divulgado, em versão completa, em São Paulo, em 9 de novembro. O FMI avalia que a incerteza global está em níveis mais elevados do que estava há seis meses e ainda "não se sabe quais serão os efeitos da desaceleração no mercado de imóveis e os problemas subprime nos EUA". Em reação à turbulência financeira, o diretor observa que a resposta favorável é atribuída a melhores fundamentos na grande parte dos países e consenso em preservar a estabilidade macroeconômica. "A maior parte dos países têm dívida pública em declínio, fortalecimento fiscal e das posições externas e sistemas fiscais mais sólidos e têm usado a flexibilidade do câmbio de forma bastante efetiva recentemente", reconhece. Embora a inflação permaneça baixa, segundo padrões históricos, o diretor do Fundo observa que permanece a necessidade de manter o comprometimento na região para manter a inflação baixa. "O aumento recente da inflação em diversos países exige acompanhamento de perto. Permanecemos confiante que a região está comprometida em lidar com os choques e evitar efeito secundário", afirma. O FMI destaca que há progresso significativo na redução da pobreza na América Latina e reconhece que a desigualdade social está em declínio, "embora ambas permaneçam em níveis relativamente elevados". Embora Singh observe que a região tem mais por fazer nesta área, diz que "encoraja" ver o progresso já feito nos anos recentes. O "Isto é muito importante", reconhece. O diretor cita que o Brasil reduziu a taxa de pobreza de 34% em 2002 para 27% em 2006. Na Argentina, a taxa de pobreza caiu pela metade para 23% em 2006, ante o nível após a crise do país no final de 2002.   

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