Desafio do BC dos EUA é ver se há ‘maneiras para fazer mais’

Em palestra, presidente do Banco Central de Atlanta defendeu que o Federal Reserve sempre tem opções 'para criar mais liquidez'

Fábio Alves, da Agência Estado,

21 de novembro de 2011 | 18h23

O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, classificou a política monetária do banco central norte-americano como sendo no momento "muito acomodatícia" ou uma política "muito frouxa", mas mesmo assim o Fed está ainda enfrentando desafio para ver se há "maneiras para fazer mais". Por enquanto, ressaltou ele, "isso permanece uma questão em aberto".

Segundo ele, a economia norte-americana enfrenta dois grandes riscos para o cenário base que o Fed trabalha de crescimento moderado: a crise da dívida soberana da zona do euro e também as incertezas da situação fiscal dos Estados Unidos, com o "muito provável" fracasso do supercomitê do Congresso americano encarregado de chegar um acordo para reduzir os gastos da maior economia mundial em US$ 1,2 trilhão.

Lockhart disse que o banco central americano "sempre tem opções para criar mais liquidez". Em palestra na Fundação Getúlio Vargas, Lockhart observou que as autoridades monetárias americanas já elevaram o balanço patrimonial do FED em US$ 2 trilhões desde o primeiro programa de afrouxamento monetária (chamado de QE 1 e QE 2).

Segundo ele, as opções de política monetária americana estão menores do que há algum tempo, mas o FED ainda tem opções para lidar com problemas e com os riscos para a economia americana. Ele ressaltou que o Fed não tem intenção de reduzir o valor de seu balanço patrimonial, que está ao redor de US$ 2,8 trilhões (com o aumento causado pelos programas de afrouxamento monetário). Ele disse que esse aumento do balanço patrimonial do FED, com injeção de liquidez no mercado, não se reflete na economia real porque o sistema bancário americano ainda está "em recuperação".

Desafios

Lockhart disse estar "confortável" com o nível da inflação dos Estados Unidos neste momento. "O desemprego é o grande problema hoje. O maior desafio que a política monetária tem neste momento é como estimular a criação de emprego", disse Lockhart.

Segundo ele, se não houver um choque na economia mundial, não há um "risco de recessão" nos EUA neste momento. Ele disse que está havendo criação líquida de novos empregos, mas não num ritmo suficiente para reduzir o nível de desemprego. Para Lockhart, o cenário base que o Federal Reserve está trabalhando é o de crescimento moderado da economia, entre 2% e 3%, com o desemprego diminuindo apenas gradualmente e uma inflação que deverá permanecer ao redor da meta informal que o Fed trabalha, de 2%.

Moedas

Lockhart afirmou que no curso do longo prazo é natural que Brasil, China, Índia e outros países passem a crescer mais que os países desenvolvidos, e que naturalmente a moeda desses países passem a ter um papel mais relevante no sistema monetário internacional.

"No longo prazo é possível que o dólar tenha uma menor participação no porcentual total nas reservas internacionais" disse ele. O presidente do Fed de Atlanta destacou também que, ao mesmo tempo, é possível muitos países adotem políticas para que as suas moedas possam ser conversíveis, o que permitirá a essas moedas assumirem um dia o papel de moeda de reserva mundial. "Mas isso não acontecerá rapidamente, aliás levará muito tempo, porque no curto prazo o dólar manterá seu posto de moeda de reserva mundial".

Brasil

Lockhart disse que discutiu a situação da crise da zona do euro com o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, durante um almoço hoje. Também discutiu com Tombini e outros diretores do BC a economia brasileira. "Falamos da combinação das medidas macroprudenciais e de política monetária que vem sendo utilizada nos últimos meses em reação aos fluxos de capital e de outros fatores influenciados pelas condições da economia global", disse Lockhart.

"Tivemos uma discussão geral sobre as condições aqui no Brasil e como a situação na Europa poderá afetar o Brasil, quais os canais em que isso poderá ocorrer. O Tombini é um banqueiro central muito experiente", afirmou Lockhart.

 

(Texto atualizado às 19h05)

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