Desafio do próximo governo é manter políticas responsáveis, diz Meirelles

Segundo presidente do BC, é indispensável manter a inflação na meta para o País continuar a crescer

Luciana Xavier, da Agência Estado,

26 de abril de 2010 | 13h39

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira, 26, a uma plateia de cerca de 300 investidores em Nova York, que o desafio para o próximo governo será manter políticas monetária, fiscal e cambial responsáveis, de modo a garantir o crescimento do País. "É importante que a trajetória cadente da dívida pública seja continuada", observou, no evento 2010 Brazil Summit, organizado pela Câmara de Comercio Brasil-EUA.

Meirelles disse ainda que "para continuar a crescer, é indispensável que o próximo governo mantenha a inflação na meta rigorosamente". Segundo ele, não há dúvida "do sucesso desta política econômica", ressaltando que o governo atual tem feito a lição de casa, mas é preciso dar continuidade a esse ambiente de estabilidade.

 

Foco na poupança interna e externa é essencial para crescimento sustentável

 

Posteriormente, o presidente do Banco Central ainda afirmou, em entrevista à Agência Estado, que um dos desafios da economia brasileira daqui para a frente, especialmente para o próximo governo, será aumentar a poupança interna e externa para que o País possa crescer de modo sustentável.

Segundo ele, a estabilidade econômica é uma precondição para que isso ocorra, mas não o suficiente, pois ele também reconhece que uma economia mais próspera e estável serve de incentivo para maior consumo. O presidente do BC evitou fazer comentários sobre se a economia estaria muito aquecida. Apenas repetiu que o "Brasil saiu mais forte da crise e o consumo está forte", mas que a economia está em trajetória saudável.

No caso da poupança privada, Meirelles disse ser importante que haja incentivos do governo para que se poupe mais e, no caso da poupança pública, o desafio está em assegurar uma trajetória de queda dos gastos públicos e na relação dívida/PIB.

O presidente do BC tem ressaltado frequentemente a importância de outro país emergente, a China, fazer uma transição para uma economia de maior consumo doméstico e menos poupança e de os EUA passarem a poupar mais e reduzir o consumo doméstico, para possibilitar o reequilíbrio mundial.

Meirelles disse ainda que o País se beneficiou de uma política prudencial no momento da crise, com um sistema financeiro livre da excessiva alavancagem vista em economias avançadas e pelo fato de "o Brasil não ter uma política monetária superacomodatícia, como nos Estados Unidos".

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