Desafios e oportunidades

O mundo está sendo impulsionado pela tecnologia. Novos produtos, novas ideias, carros que se movimentam sem um condutor! Jovens continuam fazendo de suas garagens celeiros de inovação, trazendo à tona aplicativos, produtos, serviços. No Massachusetts Institute of Technology (MIT), 80% dos que frequentam os MBAs têm veia empreendedora, dispondo de empresa estruturada.

CEO DA CTPARTNERS, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h20

Já nas organizações, fazer mais com menos permanece a tônica, da mesma forma que atrair, reter e desenvolver os talentos é crucial para o sucesso do negócio. Se essas premissas são válidas nos mais diferentes cantos do planeta, estão igualmente presentes no Brasil, considerado hoje um dos mais importantes mercados emergentes.

Muito se fala sobre a falta de profissionais prontos e preparados para o salto de qualidade e expansão dos negócios no País. Sob minha perspectiva - um estrangeiro com 27 anos de prática na indústria de seleção de executivos nos Estados Unidos e no mundo - estou bastante confiante de que o Brasil vai superar os gargalos e cumprir o movimento ascendente que tanto os parceiros globais de negócios quanto os brasileiros conseguem antever.

Ainda que a realidade atual se mostre acelerada, os ciclos de desenvolvimento demandam prazo mais estendido, algo em torno de seis ou sete anos. Vejo que o Brasil caminhou muito nos últimos tempos, especialmente devido à ascensão de novas camadas ao mercado de consumo, engrossando as fileiras da classe média.

É fato que o País e as empresas nele instaladas se ressentem da falta de profissionais capacitados e preparados para conduzir os planos de crescimento e concretizar os desafios presentes e futuros. Essa realidade, no entanto, é intrínseca a uma economia emergente em franca evolução. Não se consegue treinar as pessoas e tê-las prontas tão rápido quanto requer o negócio. Como tive oportunidade de ouvir certa vez de um sábio, o único problema de ter experiência de 20 anos está exatamente nas duas décadas necessárias para forjar esse conhecimento.

Na China um grande número de graduados teve experiência internacional e, ao retornar, aplicou localmente os conhecimentos e as técnicas aprendidas. Essa transferência de know-how deve ocorrer agora no Brasil, que conta atualmente com um grande contingente de executivos nos EUA, na Europa, na própria América Latina. Eles voltarão para casa e, se tiverem oportunidade de aplicar o que aprenderam nas grandes organizações e abraçar as tecnologias utilizadas, serão capazes de provocar grande impacto na dinâmica das organizações do País.

Para se firmar entre as principais economias do mundo, o Brasil terá de criar facilidades para a busca dos talentos necessários, estejam eles onde estiverem. Um dos desafios é flexibilizar algumas restrições em termos de obtenção de licença de trabalho, até porque muitas empresas estão se vendo obrigadas a importar executivos e, nesse processo, encontram uma série de entraves.

Mais e mais empresas estão se dando conta de que, quando o talento não está disponível aqui, ele precisa ser buscado fora. Sensíveis a isso, temos olhado o mercado brasileiro com maior atenção, ampliando nossos investimentos no país. Fazendo da tecnologia um aliado, desenvolvemos uma plataforma global proprietária que nos permite procurar candidatos no México, nos EUA, na Europa, na Ásia ou onde quer que esteja a pessoa adequada para ocupar determinada posição estratégica no território brasileiro.

Em tempos de mídias sociais, pode parecer que a tecnologia, por si só, seja capaz de estabelecer as conexões necessárias para colocar a pessoa certa no lugar certo. Certamente isso não é verdade. A busca por executivos para as posições mais seniores foi alçada a um novo patamar, até porque a complexidade do ambiente de negócios também se elevou.

Para posições menos críticas, ferramentas como o LinkedIn têm encontrado grande aplicabilidade em processos conduzidos, muitas vezes, internamente. Já nos níveis mais elevados, a busca estruturada, feita por especialistas que mantêm o dedo no pulso das pessoas que são estrelas hoje e daquelas que brilharão amanhã, faz toda a diferença - especialmente para um país como o Brasil, com condições e força para realizar todo o seu potencial.

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