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Desanimada, a indústria nem pensa no fim do ano

Em agosto, quando o efeito negativo da Copa do Mundo sobre os negócios já estava superado, a indústria continuou estagnada e os empresários industriais manifestaram maior apreensão quanto ao futuro, segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ao contrário do comportamento histórico, não há sinais de que a indústria já tenha iniciado os preparativos para o fim de ano, sazonalmente o período mais favorável à atividade econômica.

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2014 | 02h05

A produção caiu em relação a julho (de 48,8 para 48,2 pontos); o número de empregados cresceu, mas continuou abaixo do nível de equilíbrio (45 pontos, em julho, e 46 pontos, em agosto); e foi pequeno o aumento do uso de capacidade (de 70% para 72%). Os estoques permaneceram no mesmo nível, mas, como as vendas foram fracas, eles ficaram acima do desejável. Essa é a melhor evidência de frustração dos empresários, pois a mera manutenção dos estoques significou piora.

Ainda piores são as expectativas relativas às quantidades exportadas e ao número de empregados, não só em queda, como abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa o campo positivo do negativo. Os itens demanda e compras de matérias-primas ainda são positivos, mas caíram na comparação mensal.

A mostra da CNI é significativa, pois foram ouvidas 2.240 empresas, entre pequenas (857), médias (817) e grandes (556). As grandes, por exemplo, tentaram mais que as outras manter a produção e o nível de uso de capacidade, mas o resultado foram mais estoques indesejados.

Os números revelam que tanto a indústria de transformação como a extrativa (que apresentava melhores resultados) estão submetidas a um processo de declínio, bem caracterizado nos últimos seis meses. Sob alguns aspectos, o declínio vem de mais tempo: desde fins de 2010 a utilização da capacidade instalada é inferior à usual.

Os indicadores relativos ao emprego também inspiram preocupação, pois estão no campo negativo desde o segundo trimestre do ano passado e, antes disso, vinham claudicando desde meados de 2011.

O último quadrimestre é decisivo não apenas do ponto de vista da contribuição da indústria para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), mas para a salvaguarda das empresas e de sua capacidade de gerar resultados e de preservar empregos. A estagnação econômica parece abalar um setor que depende de políticas eficientes de longo prazo.

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