Desânimo na indústria é o maior desde 1995

A Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que 49% das 1.190 empresas pesquisadas consideram a situação dos negócios fraca para esta época, em que normalmente começa a haver um aumento de produção voltada às vendas de fim de ano. É o pior resultado desde que a pergunta foi incluída na pesquisa, em 1995.Para Aloisio Campelo, que coordenou o estudo, o País ainda não está em recessão por causa dos bons desempenhos no agronegócio e do aumento da capacidade instalada da indústria, de 79,2% em janeiro para 81% em julho. Ele considerou "perdido" o primeiro semestre do ano. Para o econonomista, a recuperação, se houver, ocorrerá somente no último trimestre. Segundo a sondagem, 32% dos industriais apostam em melhora da economia e 27% já acham que a situação ficará pior. Já o nível de estoques foi considerado excessivo por 22% das empresas em julho, enquanto apenas 3% os avaliaram insuficientes. Estes foram os piores resultados desde 1992. Para evitar encalhe, 26% das empresas estão prevendo queda de preços nos próximos três meses e apenas 16% acreditam em elevação, enquanto 58% manterão estabilizadas as margens de lucro.A 148ª edição da sondagem reuniu dados de empresas que juntas faturam anualmente cerca de R$ 300 bilhões - um terço do PIB -, empregaram no ano passado 980 mil trabalhadores e se distribuem por 25 Estados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.