Leonardo Morais
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Desastre da Samarco obriga Cenibra a suspender produção de celulose em MG

Fabricante de celulose capta água para produção no Rio Doce, que foi contaminado por lama e detritos liberados pelo rompimento da barragem da mineradora; unidade da Fibria, no ES, também corre risco de ser afetada

Fernando Scheller, Marcelle Gutierrez, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2015 | 05h00

A lama e os detritos liberados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, na cidade mineira de Mariana, contaminaram o Rio Doce e comprometeram a captação de água para a produção da fabricante de celulose Cenibra, cuja fábrica fica na cidade de Belo Oriente (cerca de 250 km de Belo Horizonte). A empresa informou nesta terça-feira, 10, que suspendeu sua produção desde o último sábado e que procura alternativas para solucionar o problema.

A Cenibra, controlada pelo grupo japonês JBP, repassa a maior parte de sua produção – de 1,2 milhão de toneladas por ano – para subsidiárias do conglomerado do qual faz parte. Hoje, a empresa representa cerca de 6,5% da produção nacional de celulose, que está em 16 milhões de toneladas ao ano. As líderes do mercado brasileiro são as gigantes Fibria e Suzano.

A paralisação da unidade da Cenibra vem em um momento em que o mercado de celulose, altamente exportador, lucra com a valorização do dólar. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que congrega as companhias do setor, o volume de vendas externas de celulose atingiu 7,5 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, 8,6% mais do que em igual período de 2014. A receita em dólar subiu 2,3%, para US$ 5 bilhões – a grande diferença, porém, se dá quando o dinheiro entra no caixa das empresas, em real.

O desastre do rompimento da barragem da mineradora Samarco, que tem a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton como sócias, deixou pelo menos seis mortos. Mais de 20 pessoas ainda estão desaparecidas. Com a contaminação do Rio Doce, a distribuição de água potável de diversos municípios de Minas Gerais foi afetada. O rompimento da barragem também vai reduzir a produção da Vale no Estado em 2015 e 2016.

Efeitos. A paralisação não programada da Cenibra, mesmo que seja curta, pode recompor preços da celulose no mercado internacional e aumentar a procura por papéis de Suzano e Fibria. Segundo o BTG Pactual, a fábrica da Cenibra representa 4% do mercado global de celulose fibra curta – no qual o Brasil é líder absoluto. Para fontes do setor, caso chuvas fortes atinjam a região nos próximos dias, o problema da contaminação do rio pode ser amenizado e a parada da Cenibra deve ser abreviada.

Segundo o Estado apurou, estão previstas paralisações de manutenção em outras fábricas de celulose no País até o fim do ano, o que poderá ajudar a equilibrar os preços para o mercado chinês, que vinha reduzindo a demanda pelo produto. “Agora, pode até haver um aumento no início de dezembro”, diz uma fonte do setor.

Em seu comunicado a clientes, o BTG também mencionou comentários de uma possível redução de preços na Ásia, mas frisou que, em sua opinião, a oferta de celulose no mercado continua apertada. Por isso, recomenda a compra de Fibria e da Suzano. Os analistas do banco projetam que o preço da celulose de fibra curta chegará a US$ 750 por tonelada na Europa em 2016.

Fibria. Outra unidade produtora de celulose no Espírito Santo, que pertence à Fibria, corre risco de ser afetada pelo rompimento da barragem. A unidade que produz 2,3 milhões de toneladas do produto ao ano, quase o dobro da capacidade da Cenibra. A fábrica é abastecida pelo Rio Riacho, conectado ao Rio Doce. A empresa informou que está acompanhando a situação, ressalvando que tem um reservatório que permite o abastecimento da unidade por cem dias – que, por enquanto, ainda não precisou ser utilizado.

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