Desbloqueio de bens da Petrobrás irrita operários no Recife

Manifestantes do Consórcio Alusa impediram entrada em condomínio onde fica o escritório da estatal

MONICA BERNARDES, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2014 | 02h04

No primeiro dia útil após a decisão da Justiça de Pernambuco de desbloquear os bens da Petrobrás - que haviam sido congeladas no dia 25 pela juíza Josimar Mendes da Silva, do Tribunal Regional do Trabalho da 6.ª Região, para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas de cerca de 4,6 mil funcionários do Consórcio Alusa (ex-Alumini) - cerca de 200 operários, que prestavam serviços nas obras de construção da Refinaria Abreu e Lima, impediram, na manhã de ontem, a entrada no condomínio empresarial onde está localizado o escritório da Petrobrás, no bairro de Boa Viagem, zona sul do Recife.

O clima ficou tenso no local e o batalhão de choque da Polícia Militar de Pernambuco foi chamado. No final da manhã, após a promessa de que uma comissão seria recebida por representantes da Petrobrás, os manifestantes encerraram o bloqueio. No entanto, até o fim da tarde a reunião ainda não havia ocorrido. Há mais de um mês os trabalhadores vêm realizando vários protestos contra a falta de pagamento, bloqueando ruas e estradas no Recife e em Ipojuca, no litoral sul do Estado, onde está localizada a refinaria.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada de Pernambuco (Sintepav-PE), Aldo Amaral, disse que vai recorrer da decisão do juiz Hélio Galvão, que também é do TRT da 6.ª Região. Em nota oficial, o sindicalista lamentou "a falta de disposição da estatal se responsabilizar pelo pagamento dos salários dos trabalhadores". Em rápida entrevista, Amaral destacou a existência de pagamentos em aberto, da Petrobrás à Alusa, no valor de cerca de R$ 1,2 bilhão.

"Há cerca de dez dias tivemos uma sinalização informal da Petrobrás de que eles estariam dispostos a pagar diretamente aos trabalhadores e posteriormente abateriam esses recursos do valor que têm em aberto com o consórcio. Mas infelizmente agora a conversa é outra", comentou Amaral. O total das dívidas da Alusa com os trabalhadores é de cerca de R$ 137 milhões. O débito diz respeito a salários atrasados, pagamento de rescisões e participação nos lucros e resultados (PLR), além do não recolhimento de FGTS, INSS, vale-alimentação e assistência médica e hospitalar.

Na semana passada, após o bloqueio dos recursos, o sindicato estava organizando uma lista para a homologação das rescisões, dando prioridade ao pessoal que veio de outros Estados. Irritados, os manifestantes reclamavam da falta de assistência. "Estamos passando necessidade. Estamos sem receber nada há quase dois meses. Temos fome", disse o auxiliar de serviços gerais Paulo da Silva, 45.

"São mais de 4 mil homens sem salário, sem direitos trabalhistas, vivendo em alojamentos sem alimentação ou condições dignas de higiene", afirmou Amaral. "A gente não come há dias e não sabe o que vai fazer para mandar comida para nossos filhos", reclamou o soldador Iranildo Dias.

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