Descoberta põe o País em novo patamar, diz AIE

Para agência internacional, investimento não será barato

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

A Agência Internacional de Energia (AIE) se surpreendeu com a notícia sobre o megacampo de petróleo encontrado pelo Brasil e diz que a descoberta "coloca o País em um novo patamar no cenário internacional". Segundo a agência, a produção da nova reserva terá um importante impacto para o mundo. "Essa é uma grande notícia tanto para o Brasil como para o mercado de petróleo no mundo, principalmente diante dos altos preços", afirmou o embaixador William Ramsay, um dos dirigentes da agência, com sede em Paris, França, e o formulador, durante anos, da política energética americana."O campo de Tupi já era uma grande descoberta. Isso agora, com capacidade cinco vezes maior, é surpreendente. Estamos falando de uma enorme descoberta", disse Ramsay, que já serviu como negociador no Congo, Arábia Saudita e em outros países produtores de petróleo. Para ele, o governo brasileiro terá de tomar "algumas decisões muito estratégicas". "Em primeiro lugar, o Brasil terá de decidir quanto vai querer investir no campo. Não será nada barato e o governo, a Petrobrás e a sociedade terão de tomar decisões sobre qual será a conta que estão dispostos a pagar. Isso determinará o ritmo dessa nova produção para o mundo."Segundo Ramsay, a nova descoberta "coloca o Brasil em um novo patamar no mercado de petróleo". "Se toda essa capacidade se confirmar, o Brasil passará a ser visto de outra maneira no mundo." De acordo com a AIE, o Brasil terá de decidir como vai colocar esse petróleo no mercado no futuro. "Certamente o Brasil não vai querer inundar o mercado e fazer os preços baixarem no futuro. Mas será uma decisão estratégica." OPEPO embaixador americano, porém, espera que o Brasil não tome a decisão de aderir à Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep). "Espero que, no Brasil, a razão prevaleça e o governo não tome a decisão de seguir por esse caminho."Para a AIE, a entidade deve ser considerada um cartel, e não ajuda no desenvolvimento da produção do petróleo no mundo. "A descoberta de enormes reservas não precisa significar a mudança para um caminho que não vai ajudar a ninguém, nem ao Brasil e nem ao mundo", concluiu o embaixador.PASSO A PASSOAntes da perfuração: estudos topográficos e sísmicos indicam a possibilidade de existência de óleo em rochas do subsolo Poço pioneiro: o primeiro poço mapeado pela exploração pode ou não descobrir petróleo. Resultado positivo não indica ainda a existência de uma jazida comercial Poços de extensão: se bem-sucedido o poço pioneiro, as empresas têm de comunicar a descoberta à ANP. São, então, perfurados poços de extensão no entorno para definir dimensões da jazida Reservas: a empresa começa com poços de extensão (a quantidade pode chegar a 20, dependendo da área) a avaliar o tamanho do reservatório. Cada poço exploratório em águas ultraprofundas custa em torno de US$ 60 milhões Comercialidade: o campo só é considerado viável comercialmente se o volume, qualidade do petróleo e tempo em que permanecer em produção cobrirem, com lucro, os custos de retirada do óleo Desenvolvimento: comprovada a viabilidade, serão perfurados os poços de desenvolvimento (perfurações definitivas de produção do campo). O número de poços de produção de um campo depende das características do reservatório Sonda: a sonda, utilizada para perfurar poços, é composta por uma torre da altura de um edifício de 15 andares que sustenta os tubos de perfuração. Os tubos, que conduzem a broca, passam por uma mesa giratória, na base da torre, e, por rotação, vão atravessando as camadas do subsolo Perfuração: a perfuração é um trabalho ininterrupto. A cada 27 metros os sondadores encaixam um novo tubo. A vida útil da broca, que está na extremidade do primeiro tubo, é relativamente curta e ela precisa ser trocada várias vezes durante a sondagem Grande profundidade: se o poço estiver a 4 mil metros, serão necessárias mais de 200 operações com tubos para troca da broca. Nas perfurações submarinas, a sonda é instalada sobre plataformas fixas ou móveis e navios Plataformas: as plataformas que operam na Bacia de Campos custam entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões e retiram óleo a 3 mil metros de profundidade. Para as bacias da camada de pré-sal, estima-se a operação a 7 mil metros. Ainda não há informações sobre custos de plataformas de produção

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