Descolamento da Argentina ajudou produção industrial

A gerente de análise do Departamento de Indústria do IBGE, Mariana Rebouças, disse que a pequena recuperação da produção industrial em novembro (aumento de 1,4% ante outubro) foi em boa parte influenciada pelo descolamento do Brasil da crise argentina e a redução da taxa de câmbio. "O ambiente começou a ficar mais favorável", observou. Essa melhora possibilitou que a produção de bens duráveis mantivesse o crescimento (aumento de 3,4% sobre outubro) pelo terceiro mês consecutivo na comparação com mês anterior e os não duráveis registrassem acréscimo de 3,9% na produção em novembro nessa base de comparação, após uma queda de 2,4% em outubro. "A indústria é o setor mais sensível às mudanças nas variáveis macroeconômicas", disse Mariana. CrisesEla sublinhou que a desaceleração da produção industrial ao longo do ano, na comparação com períodos iguais do ano passado, ocorreu devido aos sucessivos choques na economia brasileira, com destaque para os efeitos da crise argentina e o racionamento energético. A economista do IBGE destacou que também os dados industriais de 2001 nessa base de comparação (mesmo período de 2000) sentiram também os efeitos da base do ano passado, que registrou níveis elevados de atividade.Bens de capital em desaceleração A produção de bens de capital, que foi o destaque da indústria brasileira ao longo de 2001, está em desaceleração. Os dados divulgados hoje pelo IBGE revelam que essa categoria reduziu a produção em 3,1% em novembro ante outubro. Foi a terceira queda consecutiva na base de comparação com o mês anterior. Houve desaceleração também na comparação com novembro de 2000, já que nesse caso o aumento na produção foi de apenas 0,2%, após um acréscimo de 8,7% registrado em outubro. A gerente de análise do departamento de indústria do IBGE, Mariana Rebouças, disse que a "perda de dinamismo" dessa categoria ocorreu especificamente nos bens de capital voltados para a indústria em geral, mas houve importantes acréscimos em novembro, ante mesmo mês de 2000, no caso de equipamentos para construção civil (33,7%) e para energia elétrica (22,7%). Mariana observou que a produção de bens de capital é cíclica e portanto considera natural que ocorra um ajuste no momento. A avaliação da economista é que a categoria, considerada como importante sinalizador do nível de investimentos, vinha crescendo como resultado do fôlego que ganhou em 2000 com o bom desempenho da indústria. Ela destacou também que apesar da desaceleração a produção de bens de capital cresceu 14% no acumulado de janeiro a novembro de 2001.

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