Desconfiança crescente no comércio e nos serviços

Ainda resta alguma esperança de melhora entre comerciantes e prestadores de serviços. O pagamento da primeira parcela do 13.º dos aposentados em setembro e a proximidade das festas de fim de ano podem significar algum aumento nos negócios. Mas a sensação predominante é de que a economia chegou ou está perto do fundo do poço, sem sinais claros de recuperação. O quadro não justifica novas encomendas a fornecedores. Em casos extremos, há os que, depois de dispensar funcionários e tomar outras medidas de contenção de custos, consideram seriamente a possibilidade de deixar o mercado para não contrair dívidas.

O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2015 | 03h00

O ambiente de incerteza é cada vez mais claro. Segundo os últimos dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança do Comércio (Icom), com ajuste sazonal, caiu 4,1% em agosto em relação a julho, a quarta queda consecutiva, recuando para 86,1 pontos, o menor nível da série histórica iniciada em 2010.

Houve ligeiro avanço na expectativa quanto aos próximos seis meses, tendo o índice específico se elevado de 117,2 pontos em julho para 120,5 pontos em agosto. Isso, porém, está longe de configurar uma tendência, mesmo porque o Índice de Expectativas não chegou a voltar à marca de junho (121,9 pontos). A análise feita pela FGV da evolução dos índices em bases trimestrais mostra que, depois de um esboço de recuperação no segundo trimestre, as expectativas voltaram a piorar no trimestre em curso.

Na área de serviços, que, até o início deste ano, parecia resistir à retração, a situação mudou inteiramente de figura nos últimos meses. O Índice de Confiança de Serviços da FGV acusou uma queda de 4,7% em agosto diante de julho, a sexta vez que o indicador registra o mínimo histórico em 2015, com 11 dos 12 segmentos de atividade no campo negativo.

Em uma fase em que as famílias se veem obrigadas a ajustar seu orçamento, muitos tipos de serviços têm sido dispensados ou adiados. Havia impressão de estabilidade no setor no segundo trimestre, mas não há mais. O Índice de Expectativas, que já era baixo em julho (99,1 pontos), recuou para 97,6 pontos em agosto.

O pior é que o setor de serviços é o que mais emprega na economia, o que faz prever um novo aumento nas taxas de desemprego, atingindo, principalmente, os grandes centros urbanos. E o aumento do desemprego faz cair a demanda, piorando o quadro.

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