Michael Buholzer | swiss-image.ch
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Desconfiança deve cercar o Brasil na reunião de Davos

Presidente Dilma Rousseff foi convidada a participar do Fórum Econômico Mundial e apresentar quais são seus planos para o País

Jamil Chade / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2015 | 03h00

A elite da economia mundial vai querer saber da presidente Dilma Rousseff o que esperar de seu governo para 2016, diante da queda pronunciada do Produto Interno Bruto (PIB), da instabilidade política, do aumento do desemprego e da forte flutuação da moeda.

No fim de janeiro, o Fórum Econômico Mundial realiza seu encontro anual em Davos e, segundo fontes da entidade, Dilma foi convidada para se dirigir às centenas de empresas que, nos últimos anos, investiram bilhões de dólares no mercado brasileiro. Agora, os patrões dessas multinacionais querem saber, da própria cúpula do governo, o que é que vai ser feito em 2016 para o País retomar o crescimento ou pelo menos deixar de registrar uma das recessões mais profundas do mundo.

Os organizadores têm insistido muito que a delegação brasileira ainda inclua o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. “Há muito interesse de nossos membros em saber o que está ocorrendo no Brasil e como a atual crise política e financeira vai ser tratada”, disse um representante do fórum. “Há muito em jogo no Brasil.”

Fontes ouvidas pelo Estado indicaram que, nos bastidores do evento, empresas têm pressionado os organizadores a usar o evento em Davos para que possam escutar da liderança brasileira se existe um plano ou não para sair da crise.

Em 2014, Dilma já ocupou o palco em Davos e, em um discurso, tentou garantiu que o País manteria sua taxa de crescimento. Mas fez um apelo para que o empresariado apostasse no Brasil. “Nosso sucesso nos próximos anos estará associado à parceria com os investidores do Brasil e de todo mundo.”

Hoje, esse mesmo empresariado deixa claro que a economia brasileira dá claros sinais de perdas. Se por anos a burocracia e carga fiscal eram criticadas, a expansão do mercado doméstico compensava. Agora, com o colapso das vendas em diversos setores, as críticas voltam a se fortalecer.

Em uma conferência com investidores nas últimas semanas, a empresa alemã Continental AG admitiu que não há como abandonar o Brasil. Mas alerta que os lucros são cada vez menores. “Não se pode mais simplesmente tirar dinheiro do Brasil”, disse o diretor financeiro da empresa, Wolfgang Schäfer.

Na semana passada, as maiores empresas aéreas do mundo emitiram um alerta e apontaram que, se a crise é profunda, “o governo não tem feito muito para sair dela”. Na Associação Internacional de Transporte Aéreo, a crítica se referia ao fato de que, numa situação difícil para o setor privado, o governo decidiu elevar as tarifas, em vez de reduzi-las.

E as projeções para o próximo ano não são positivas. Um levantamento preparado pela ONU e obtido pelo Estado ainda indica que, em 2016, o Brasil terá o pior desempenho econômico entre as grandes economias do mundo. Segundo a projeção, o PIB nacional deve sofrer contração de 0,8% no ano que vem e uma retomada apenas ocorreria a partir de 2017.

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