Desconfiança impede decolagem de empresas chinesas no mundo

A diferença de regime político e a desconfiança em relação às empresas chinesas, consideradas "de baixo custo", impedem a decolagem das fusões e aquisições chinesas no exterior, segundo um relatório publicado nesta quarta-feira pelo jornal China Daily.O documento elaborado pela empresa de consultoria Boston Consulting Group (BCG) analisou 776 casos de aquisições e fusões de 13 países de economias emergentes, dos quais apenas 82 foram feitos por empresas chinesas (11% do total), atrás de países como a África do Sul e a Índia.Este dado contrasta com o Produto Interno Bruto (PIB) chinês, que representa 30% do total dos países com economias emergentes.A Ásia foi o principal destino das fusões e aquisições das companhias chinesas, com 62% delas, e os países mais beneficiados foram Cazaquistão, Hong Kong, Indonésia e Coréia do Sul.As companhias chinesas se voltaram para o exterior em quatro momentos de sua história recente, a primeira com a abertura de 1986, seguida da expansão estrangeira que aconteceu com a devolução de Hong Kong à China em 1997.Terceira ondaA terceira onda aconteceu em 2000, quando se permitiu às companhias estrangeiras se instalar no país asiático sem necessidade de criar uma empresa mista, o que levou muitas empresas nacionais a comprar as ações de seus sócios estrangeiros.A entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, representou o quarto momento de expansão exterior, que se centrou sobretudo nos setores de mineração, energia, tecnologia e comunicações.Segundo o vice-presidente da BCG, David Michael, as empresas chinesas têm mais dificuldades que as ocidentais ao lutar por uma fusão ou aquisição muitas vezes por razões políticas.Michael acredita que a maioria dos países não vê com bons olhos que uma empresa de um regime político diferente adquira o direito de exploração de seus recursos naturais.Além disso, as empresas chinesas são consideradas no exterior negócios "de baixo custo", algo que também preocupa as companhias estrangeiras, que consideram que, após a fusão ou a aquisição, muitos funcionários podem perder seu emprego por cortes de orçamento.

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