Desconto para dívida grega teria apoio de 50%

Segundo jornal, maioria dos credores teria aceitado receber menos pelos papéis do país

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2011 | 03h05

Os credores privados da Grécia teriam aceitado na noite de ontem um desconto entre 50% e 55% da dívida grega. A informação é do jornal francês Les Echos. Segundo a publicação, o número final deve ser anunciado neste fim de semana, provavelmente na reunião de cúpula da União Europeia amanhã.

Em julho, os credores privados já tinham aceitado cortar em 21% a dívida grega. Mais cedo, banqueiros na Europa admitiam elevar a redução da dívida soberana para algo entre 30% e 40%. Mas o jornal francês antecipou que uma reunião organizada pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF), que representa os maiores bancos do mundo, teria chegado ao novo acordo.

Os porcentuais próximos de 50% estariam em conformidade com o que quer a Alemanha. Já os bancos franceses, fortemente expostos à Grécia, queriam uma fatia menor. Somente o BNP Paribas pode ter de fazer provisão de 1,7 bilhão.

Um relatório elaborado pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu (a troica) mostra que a dívida da Grécia, que está hoje acima de 150% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, pode cair para cerca de 120% do PIB até 2020 se os credores privados sofrerem um desconto de 50%. O mesmo estudo mostra que a dívida grega ficaria abaixo de 110% do PIB no mesmo período se o desconto alcançar 60%.

"Esses números são estudos. Esperamos que a decisão de desconto seja tomada pelos líderes europeus até quarta-feira. Ainda há desacordos entre Alemanha e França quanto à extensão do desconto", explicou a fonte.

Ajuda. Ainda ontem, os ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo) anunciaram, num comunicado, concordar com a liberação da próxima parcela de auxílio financeiro à Grécia, de € 8 bilhões. Segundo o texto, o pagamento será efetuado no início de novembro se o Fundo Monetário Internacional (FMI) também autorizar o empréstimo. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, vai recomendar a liberação da parcela, informou uma fonte próxima às negociações. "Christine Lagarde recomendará o desbloqueio dos fundos para o conselho do FMI", que vai se reunir na primeira metade de novembro.

A aprovação do FMI era o último obstáculo para o desembolso dos recursos, após o Eurogrupo concordare em liberar 5,8 bilhões. A outra parte, para completar os 8 bilhões, viria do FMI. O Eurogrupo reiterou a intenção de conceder um segundo pacote de resgate à Grécia.

Freio. Os esforços da Europa para pôr um ponto final na crise das dívidas soberanas podem enfrentar mais um obstáculo depois de o comitê de orçamento do Parlamento da Alemanha ter aprovado ontem uma resolução para impedir a chanceler do país, Angela Merkel, de aceitar qualquer acordo que transforme o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) num banco capaz de tomar empréstimos do BCE. "Qualquer modelo que transforme o Feef num banco comercial ou aumente o financiamento do fundo no BCE está descartado. O Feef não deve receber uma licença bancária", afirma a resolução, que deve limitar as possibilidades de acordo entre as autoridades europeias durante as reuniões de cúpula que acontecerão no amanhã e quarta-feira. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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