Desconto para motos será imediato, diz associação

Embora a prorrogação da isenção de Cofins para motocicletas comece a vigorar em 1º de janeiro de 2010, a indústria promete se esforçar para repassar o benefício já a partir de sexta-feira, 18, para o consumidor. A informação é do presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), Paulo Takeuchi. Ele afirmou que o repasse do desconto ficará a critério de cada montadora, mas deve ficar entre R$ 150 e R$ 200 no preço final de motos de até 150 cilindradas.

ANNE WARTH E RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

17 de dezembro de 2009 | 18h36

"Ficará a cargo do departamento comercial de cada indústria aplicar o benefício de acordo com sua estratégia", afirmou. O presidente da Abraciclo comemorou a volta da isenção de Cofins para motos de até 150 cilindradas, que havia terminado no fim de setembro. Ele também se disse satisfeito com a linha de crédito de R$ 3 bilhões lançada hoje pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil direcionada para o financiamento do setor.

Segundo ele, a indústria de motos foi prejudicada ao longo do ano com as restrições de crédito e teve a parcela de suas vendas ligadas ao crédito reduzida para 40%, ante uma média histórica de 65%. "Nós, obviamente, concorremos com o setor automotivo e a rede financeira deu prioridade à indústria automobilística", afirmou.

De acordo com Takeuchi, o rigor e a seletividade dos bancos para conceder financiamento para compra de moto eram tantos que apenas 3 de cada 10 pedidos foram aprovados ao longo do ano. Segundo ele, antes da crise, metade dos pedidos era aprovada.

O vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo do BB, Paulo Rogério Caffarelli, afirmou que os financiamentos de motos dentro da nova linha terão taxas de juros a partir de 2% ao mês e prazo de até 50 meses. Segundo ele, as faixas de juros são competitivas. "São juros absolutamente adequados à realidade do mercado, praticamente os mesmos praticados antes da crise."

O vice-presidente da Finanças da Caixa, Marcio Percival, afirmou que os R$ 3 bilhões da nova linha representam metade do volume de crédito que o mercado de motos movimentou este ano.

"Essa conciliação entre redução de preço e aumento de funding e de redução de juros vai levar a um volume maior de empréstimos", disse Caffarelli. Segundo ele, os bancos Panamericano (Caixa) e Votorantim (Banco do Brasil) lideram hoje o mercado de motos e representam juntos cerca de 50% do crédito destinado ao setor. "Nem por isso eles registram um alto nível de inadimplência. A média está abaixo da curva do mercado", disse.

Para Percival, os bancos Panamericano e Votorantim têm capacidade de alavancar em 2010 mais que os R$ 3 bilhões reservados para a linha. "Não vai faltar dinheiro", declarou. Com a Cofins zerada e a nova linha de crédito, o presidente da Abraciclo prevê que as vendas de motos em 2010 atinjam 2 milhões de unidades, mesmo nível de 2008. Para este ano, a previsão da entidade é de que as vendas cheguem a 1,6 milhão de unidades.

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