Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Descrédito com governo por promessas não cumpridas é forte entre caminhoneiros, diz liderança 

Segundo Wallece Landim, o Chorão, medidas anunciadas para beneficiar a categoria não saíram do papel, como uma linha de crédito no BNDES

Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2021 | 13h03

Após vários acenos do governo federal aos caminhoneiros na direção de atender a pedidos da categoria, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) cobra do Executivo o cumprimento das medidas anunciadas. "Estamos cansados. Não adianta fazer reunião com a categoria para apresentar propostas, fazer marketing e nada sair do papel", disse ao Estadão/Broadcast o presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão. 

Segundo ele, há descrédito na categoria em relação às promessas do governo. "É só isso o que pedimos: presidente, olhe para os caminhoneiros e cumpra com tudo o que nos foi prometido. Não vamos mais aceitar balão apagado. O que o governo nos ofereceu terá de cumprir." 

Entre as pautas citadas pela Abrava e até agora não atendidas estão um programa de vacinação contra covid-19 específico para os caminhoneiros, a extensão do programa de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Crédito Caminhoneiro, e a manutenção da isenção dos impostos PIS/Cofins sobre o diesel

Sobre o programa do BNDES, ele relata que os transportadores não tiveram acesso à linha de crédito por causa de uma espécie de bloqueio da instituição. "A categoria conquistou e não levou. O que foi prometido até hoje não foi realizado. Vamos lutar para que essas medidas saiam do papel", diz.

Na avaliação de Chorão, os caminhoneiros estão em condição semelhante à que se encontravam antes da greve de maio de 2018. Contudo, ele descarta a possibilidade de realização de algum movimento similar neste momento. "Não tratamos paralisação como ameaça, mas o jeito com que estamos sendo tratados não dá. Não estamos aguentando mais. Estamos avisando que estamos no limite. Precisamos de alguma coisa concreta, e para ontem."

O descontentamento foi externado em uma nota divulgada pela Abrava nesta semana, intitulada "O que não levamos". Embora o mal-estar venha sendo explicitado, Chorão diz que não considera haver uma ruptura no relacionamento com o governo e que a categoria mantém "as portas abertas" para o diálogo. "Sempre procuramos o diálogo antes de tomar qualquer ação, enquanto houver diálogo e porta aberta estamos tentando buscar solução conjunta, especialmente com o Ministério da Infraestrutura. Ainda acreditamos neste projeto", aponta.

Em relação ao Gigantes do Asfalto, programa que engloba uma série de ações voltadas aos caminhoneiros, apresentado pelo governo federal em 18 de maio, Chorão afirma que a associação que representa está buscando viabilizar o projeto. 

Nesta sexta-feira, 11, ele e outros representantes da Abrava vão se reunir com executivos da Caixa Econômica Federal para tratar das questões envolvidas no programa, como o financiamento a juros mais baixos para compra e manutenção de veículos. "Vemos o programa com bons olhos, por envolver vários ministérios. A dúvida é se essas ações realmente vão acontecer. Foram oferecidas várias coisas e até agora não ganhamos nada", argumenta o líder dos caminhoneiro.

A queixa da Abrava também deve-se ao fato de o projeto final do Gigantes do Asfalto não incluir a questão do diesel, diferentemente do apresentado anteriormente ao setor, e que citava o combustível. "Solicitamos a extensão da isenção de PIS/Cofins sobre o diesel em ofícios à Presidência da República e ao Ministério da Economia e não tivemos sequer retorno. Não nos deram nenhuma sinalização", relata Chorão. 

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